
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (27), durante participação na conferência conservadora CPAC, nos Estados Unidos, que pretende disputar o cenário político brasileiro e defendeu anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), agora preso em casa. O filho 03 do golpista também declarou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) será “o próximo presidente do Brasil”, ao apresentá-lo à plateia do evento realizado em Dallas, no Texas.
No palco, Eduardo destacou a relação familiar ao comentar a reação do irmão. “É a primeira vez que meu irmão mais velho me aplaude, por favor, registrem isso”, disse.
Em seguida, reforçou a expectativa eleitoral e mencionou a situação do pai, condenado a mais de 27 anos de prisão. “Nós vamos ganhar a eleição e vamos anistiar Jair Bolsonaro”, afirmou, informando que o ex-presidente havia deixado o hospital e seguido para prisão domiciliar.
Vivendo há mais de um ano fora do Brasil, Eduardo também comentou sua situação pessoal. “Se eu voltar ao Brasil agora, provavelmente eles me prenderiam por falar contra [o ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes, um violador dos direitos humanos”, declarou. Ele disse ainda que teve o passaporte brasileiro cassado e contas bloqueadas, inclusive as de sua esposa.
Durante o discurso, o ex-deputado elevou o tom contra o STF e projetou mudanças institucionais. “Os prospectos são muito bons. Nós teremos maioria no Senado e vamos impichar Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, chutar para fora esses juízes corruptos, e fazê-los pagar pelos crimes que eles cometeram”, disse.
O painel em que Eduardo participou teve o título “Essa é para George Soros” e contou com a presença de lideranças conservadoras internacionais, como a ex-primeira-ministra do Reino Unido Liz Truss. Diferentemente de edições anteriores, ele dividiu o espaço com outros convidados no evento, considerado o maior encontro conservador do mundo.
O ex-deputado foi apresentado pelo presidente da CPAC, Matt Schlapp, que destacou a proximidade com lideranças brasileiras. “Nos EUA, nós o amamos, e amamos seu pai [Jair Bolsonaro] e amamos seu irmão [Flávio]”, disse. Schlapp também afirmou: “Nós desenvolvemos uma grande relação entre os amantes da liberdade nos EUA e os amantes da liberdade do Brasil”, citando apoio a Donald Trump.
Ainda durante o evento, Schlapp fez declarações sobre o sistema educacional brasileiro, afirmando que “crianças com nove anos aprendem que podem ser ativos sexualmente e trocar seu gênero”, sem detalhar a origem da informação. Eduardo não comentou o tema.
Na véspera, o ex-deputado afirmou que atua nos Estados Unidos para tentar incluir facções criminosas brasileiras, como o CV e o PCC, na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, medida à qual o governo Lula se opõe.