Em delírio, Adélio fala em ser presidente com Bonner como vice; laudo aponta piora

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 19:10

 

Adélio Bispo após ser preso. Foto: reprodução

Um novo laudo psiquiátrico aponta agravamento significativo do quadro mental de Adélio Bispo de Oliveira, autor do ataque a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocorrido em 2018. Durante avaliação realizada em novembro do ano passado na Penitenciária Federal de Campo Grande, Adélio apresentou delírios de grandeza e afirmou a peritos que poderia disputar a Presidência da República, chegando a citar jornalistas como possíveis integrantes de uma eventual chapa eleitoral.

O exame foi solicitado para avaliar a possibilidade de Adélio deixar o sistema prisional. Considerado inimputável pela Justiça, ele permanece custodiado em unidade federal. Segundo o laudo, ao qual a coluna teve acesso, houve piora do estado psiquiátrico desde a última avaliação, com comprometimento ainda mais acentuado da percepção da realidade.

Durante a entrevista clínica, segundo o Metrópoles, Adélio afirmou aos peritos que teria interesse em se candidatar ao Palácio do Planalto. Questionado sobre quem escolheria para compor a chapa, respondeu “com firmeza” que sua primeira opção seria a jornalista Patrícia Poeta. Em seguida, segundo o relatório, afirmou que, caso houvesse recusa, optaria por William Bonner. Para justificar as escolhas, disse que ambos transmitiriam credibilidade ao eleitorado.

Os peritos registraram que “tais manifestações denotam comprometimento do senso de realidade e exacerbação da autoestima delirante, reforçando o diagnóstico de transtorno psicótico persistente”. O documento descreve ainda que Adélio apresentou “humor subjetivo tranquilo”, porém com sinais de ansiedade e tensão ao longo da avaliação.

De acordo com o laudo, o réu tem “afeto reduzido, empobrecido, com pouca variação emocional ao longo da entrevista”. A avaliação técnica aponta que o juízo crítico está fortemente prejudicado, com percepção distorcida da realidade e das consequências do ataque cometido contra o então candidato à Presidência. Adélio tem diagnóstico confirmado de esquizofrenia paranoide.

Os peritos destacam que o quadro clínico é marcado por alucinações frequentes, prejuízo funcional relevante e incapacidade de reconhecer a própria condição de saúde mental.

Bolsonaro logo após ser esfaqueado por Adélio. Foto: AFP

Segundo a apuração junto aos especialistas responsáveis pelo parecer, ele não compreende a necessidade de tratamento e não demonstra adesão às condutas médicas recomendadas.

O laudo ressalta que Adélio deixou de ser considerado racional do ponto de vista psiquiátrico. Como já revelado anteriormente, ele passou a recusar tratamento e dizia aos agentes penitenciários que “não é doido”. A recusa terapêutica é interpretada como parte do próprio transtorno psicótico.

“A análise clínica longitudinal do sr. Adélio Bispo de Oliveira demonstra um quadro de transtorno mental crônico, com características compatíveis com transtorno esquizofrênico, manifestado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo, ausência de insight e recusa terapêutica decorrente da própria psicose. Trata-se de condição clínica que, pela natureza e gravidade, exige cuidado especializado, contínuo e estruturado, conforme literatura psiquiátrica consolidada”, diz o documento.

Diante das conclusões, os peritos afastaram qualquer possibilidade de progressão de medida ou flexibilização da custódia no momento, indicando a necessidade de acompanhamento permanente em ambiente controlado e com estrutura adequada para tratamento psiquiátrico intensivo.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.