
O motorista de Fernando Haddad (PT), Alessandro Caseri, reafirmou à Polícia Civil nesta segunda-feira (17) que foi abordado por policiais militares na noite de 11 de agosto, quando trabalhava para o candidato ao governo de São Paulo. O depoimento contraria a versão apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pela Secretaria da Segurança Pública, que disseram não ter ocorrido abordagem.
Segundo o Painel, da Folha de S.Paulo, Caseri descreveu três episódios envolvendo policiais. No primeiro, ainda com Haddad dentro do carro, afirmou que uma equipe passou pelo veículo e direcionou um “canhão de luz” para os passageiros.
Depois de deixar Haddad em casa, o motorista disse que uma viatura se aproximou na avenida Moreira Guimarães, perto do Detran, emparelhou com seu carro e que os policiais ficaram olhando para o veículo antes de seguir. Mais tarde, desconfiado da movimentação, Caseri parou nas proximidades de um hotel na rua Joinville, na Vila Mariana, onde havia câmeras de segurança.
➡️ SÃO PAULO | Novas imagens mostram momento em que viatura da PM passa por motorista de Haddad
A SSP voltou a negar que tenha ocorrido abordagem; conclusão ocorreu após a análise de mais de 40 câmeras de monitoramento pic.twitter.com/5RHO9N5OyO
— Metrópoles (@Metropoles) August 15, 2026
Nesse terceiro episódio, uma viatura teria passado pelo carro e um dos policiais feito um movimento com os lábios que Caseri interpretou como “olha o carro”. Segundo ele, os PMs estacionaram adiante, três agentes desceram e um deles disse “vaza”. Enquanto estava parado, o motorista enviou uma mensagem por WhatsApp a Laio Moraes, ex-assessor de Haddad, que o orientou a procurar o advogado da campanha.
Caseri afirmou aos delegados que não mantém vínculo político ou partidário com Haddad e ressaltou que não pretende acusar os policiais de crime ou abuso de poder. No depoimento, porém, disse ter entendido que a conduta dos PMs “não [era] o procedimento padrão de abordagem”.
A declaração confronta diretamente a negativa apresentada pelo governo paulista. Tarcísio afirmou no domingo (16) que a análise de dados de GPS das viaturas e de imagens de mais de 70 câmeras indicava que não houve perseguição nem abordagem. A Secretaria da Segurança Pública também vinha sustentando que suas diligências não haviam identificado procedimento irregular, enquanto a Polícia Civil passou a apurar o episódio.