
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Joana Machado, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, relatou a interlocutores que ela e a mãe sofreram ameaças após a morte do operador ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, em março deste ano. Nos diálogos, ela também criticou a família Vorcaro, chamada por ela de “maldita”, e afirmou ter recebido ameaças de morte por meio de vídeos com fuzil.
Sicário foi preso na 3ª fase da Operação Compliance Zero e morreu em 4 de março, quando estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. Segundo a investigação, ele tinha extensa ficha criminal na polícia mineira, com indiciamentos por estelionato, furto de veículos, crime cibernético e associação criminosa, além de histórico de fraudes digitais.
De acordo com a PF, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para executar atividades ilícitas. Entre elas estariam obter acesso a investigações sigilosas, intimidar pessoas consideradas adversárias, planejar emboscadas e retirar da internet informações desfavoráveis ao entorno do banqueiro.
“É muito difícil descansar com tudo isso. Vc não imagina o que estamos vivendo há 54 dias”, escreveu Joana em 26 de abril, de acordo com os documentos obtidos pelo Globo.
A mensagem foi enviada em um grupo de WhatsApp do qual participavam Keysom Silveira, primo dela, e Manoel Mendes Rodrigues, o “Manolo”, apontado como operador do jogo do bicho e braço-direito de Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master.
“Além de toda a dor e sofrimento. A ausência dele. O vazio que ficou. A covardia que foi. Ameaças de cadeia. Golpes. Vídeos com fuzil que iam matar a mim e a minha mãe. Contas atrasadas. Medo”.

As mensagens vieram à tona após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de dois processos relacionados ao caso Banco Master. Nos diálogos, Joana não identifica os autores das supostas ameaças, mas relata a crise financeira enfrentada pela família após a morte do irmão.
“É desumano o que estão fazendo com a gente e com a memória dele. Os malditos Vorcaro, a quem ele [Mourão] foi leal a vida inteira, estão vivendo como reis ainda. Não se manifestaram. Não tiveram a dignidade de mandar uma única mensagem, uma flor que fosse no velório dele. Estou doente com essa família maldita”, escreveu Joana.
Em outra mensagem, ela afirmou estar no limite e mencionou revolta contra a família Vorcaro. “Estou no meu limite. Perdi tudo. Situações, momentos que nenhum dinheiro no mundo pode pagar tiraram a vida do meu irmão!!! Cheguei em um ponto que o ódio por essa família maldita consumiu tudo de bom que havia em mim. Agora eu não me importo mais tanto com esse $ pq o HV [Henrique Vorcaro] NUNCA vai pagar. Quero vingança!!!”
Nos bastidores, Joana ameaçava prejudicar um eventual acordo de colaboração premiada de Vorcaro por ter acesso a conteúdos armazenados no iCloud dos aparelhos eletrônicos do irmão, conforme revelou a jornalista Andréia Sadi.
Em meio às queixas, Manolo tentou adotar tom apaziguador. “Descansa a mente, que nós vamos resolver, pode acreditar, tem minha palavra”.
Diante das reclamações e ameaças de Joana, Manolo sugeriu um encontro presencial em 28 de abril de 2026. Segundo a investigação, ele viajou a Belo Horizonte para tentar comprar o silêncio de familiares de Sicário e evitar colaboração com as apurações.