Em evento do BTG, gestores atacam Lula e STF: “Como deixam um homem de 81 anos concorrer?”

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 19:55
Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde

O cenário geopolítico global, a política fiscal brasileira e os fluxos internacionais de capital dominaram o painel “Outlook de Grandes Gestores”, realizado na terça-feira (10), último debate do primeiro dia do CEO Conference 2026, promovido pelo BTG Pactual.

André Jakurski, da JGP, Luís Stuhlberger, da Verde Asset, e Rogério Xavier, da SPX Capital, com mediação de André Esteves, falaram diante de uma plateia de investidores, empresários e executivos do mercado financeiro. O evento continua na quarta (11).

Na abertura, Esteves afirmou que o comportamento recente dos mercados tem sido fortemente influenciado pelo ambiente externo, especialmente pelos Estados Unidos. “O que está ‘driving’ os preços de mercado é o mercado externo, principalmente o americano”, disse, ao citar a realocação de portfólios globais como um dos principais movimentos dos últimos meses.

A avaliação foi reforçada por Jakurski, que atribuiu o desempenho recente dos ativos brasileiros mais a fatores internacionais do que a questões domésticas. “Nada do que aconteceu recentemente nos mercados tem muito a ver com o Brasil; é mais um movimento global de realocação de portfólios”, afirmou.

Luís Stuhlberger comentou o cenário eleitoral brasileiro. “Meu coração me diz que as chances da direita ganhar são maiores”, declarou. Em seguida, Rogério Xavier fez uma crítica direta ao presidente Lula e ao processo eleitoral. “Um absurdo que ninguém discutiu: como deixam um homem com 81 anos concorrer às eleições (sic)? Absurdo!”, disse, sendo aplaudido pelo público presente.

Stuhlberger aprofundou as críticas ao ambiente institucional brasileiro, com menção direta ao Supremo Tribunal Federal. “Estamos com deterioração das instituições. Os empresários têm medo de se manifestar, dado que podem ser punidos pelo STF. Se a direita ganhar, isso tudo será corrigido”, afirmou, também sob aplausos.

Ao tratar do cenário internacional, Esteves destacou que as tensões geopolíticas devem continuar moldando as decisões de investimento. Ele citou riscos na Ásia, especialmente na relação entre China e Taiwan, além de fragilidades estruturais na Europa, como custo de energia elevado, perda de competitividade industrial e aumento dos gastos militares. Sobre os Estados Unidos, apontou incertezas fiscais e institucionais no médio e longo prazo. “A incerteza é muito grande, não em relação ao curto prazo, mas ao médio e longo prazo”, disse.

No recorte doméstico, Esteves avaliou que o Brasil não enfrenta uma crise aguda, mencionando desemprego baixo, inflação em desaceleração e reservas internacionais robustas. Ainda assim, ressaltou que a sustentabilidade da dívida segue como o principal desafio. “A economia parece não ter muito segredo. O que falta é dar sustentabilidade à dívida”, afirmou. Rogério Xavier apresentou uma leitura mais construtiva, avaliando que crescimento nos Estados Unidos, inflação em queda e possível continuidade do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve mantêm um ambiente ainda favorável ao risco.

 

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.