Em fevereiro, quando contava 17 mortos, a Itália “protegeu a economia” e cancelou isolamento. Hoje são 6 820

Em pronunciamento na TV, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que quer retomar as atividades comerciais do país em plena epidemia. Questionou o fechamento de escolas e amenizou a gravidade da crise.

No final de fevereiro, essa era a postura da Itália. Uma reportagem do El País, do dia 27 de fevereiro, expõe as medidas tomadas pelo governo italiano, e suas consequências:

“Desde que foi registrado o primeiro contágio pelo coronavírus em território italiano, há uma semana, os acontecimentos se sucedem a um ritmo vertiginoso no país. As cifras oficiais no final da noite de quinta-feira, 27 de fevereiro, apontavam 650 contágios, 17 mortes e 45 pacientes curados. O alarme social também se disparou neste tempo em algumas áreas, dentro e fora do país, e os primeiros efeitos do medo não tardaram a surgir. Agora, o Governo se empenha em neutralizar o impacto econômico da epidemia.”

Os drásticos desdobramentos da epidemia ainda não eram vistos pelos governantes, que enxergavam uma possibilidade de coordenar um isolamento parcial, junto à existência da atividade econômica.

“O vírus, concentrado em sua maioria nas regiões da Lombardia e Vêneto, motores econômicos do país.(…)Nestes últimos dias, a escassa coordenação inicial entre as instituições e inclusive alguns enfrentamentos entre as regiões e o Governo central deixaram a impressão de certo caos generalizado na gestão inicial da crise.”

O pior ainda estava por vir. A mensagem era de tranquilidade, contra o isolamento. Houve então uma mudança na estratégia, que hoje demonstra o custo de milhares vidas. Na última contabilização, a Itália obteve o número de 6820 óbitos.

“Diante desse panorama, o Governo central apostou numa mudança radical de estratégia na gestão desta crise de saúde pública, para tentar conter o alarmismo e preservar a maltratada economia italiana. Sua grande cartada é lançar uma mensagem de calma, coordenada com a comunidade científica dentro e fora do país. Em um encontro com os correspondentes estrangeiros em Roma, o ministro de Relações Exteriores, Luigi di Maio, lamentou que alguns países, como Israel e Rússia, tenham recomendado seus cidadãos a não viajarem à Itália (outros, como a Espanha, desaconselharam apenas viagens ao norte) e garantiu que o país é um lugar seguro.

O pensamento dos governantes lembra o do presidente.

“Nossos filhos vão à escola na maioria das nossas cidades, e os turistas e investidores podem vir com tranquilidade”, afirmou. E reconheceu que o surto de coronavírus está abalando o sistema produtivo italiano.”

O discurso era o mesmo, e o Brasil tem a vantagem de observar os resultados, estando, por enquanto, atrás nos números da pandemia.

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