Em Munique, Rubio exalta colonialismo e o “Ocidente” e declara guerra ao Sul Global

Atualizado em 15 de fevereiro de 2026 às 10:26
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de roupa social, falando, sério, sem olhar para a câmera
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na Conferência de Segurança de Munique – Reprodução/X

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fez na Conferência de Segurança de Munique um discurso que resgatou de forma explícita o colonialismo e defendeu a união entre Estados Unidos e Europa para restaurar o poder do chamado Ocidente. Foi ovacionado ao final.

Ele afirmou que, “por cinco séculos, antes do fim da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente esteve em expansão”, com “missionários, peregrinos, soldados e exploradores” cruzando oceanos, “estabelecendo novos continentes” e “construindo vastos impérios que se estendiam por todo o globo”.

Ao tratar do pós-1945, descreveu a descolonização como parte de um processo negativo. Disse que “os grandes impérios ocidentais haviam entrado em declínio terminal”, acelerado por “revoluções comunistas ateias e levantes anticoloniais” que iriam “cobrir vastas regiões do mapa com o martelo e a foice vermelhos”.

“Não colocamos mais a chamada ‘ordem global’ acima dos interesses vitais do NOSSO povo e das nossas nações. Não podemos ignorar que hoje, nas questões mais prementes que enfrentamos, ela NÃO tem respostas e praticamente NÃO desempenhou nenhum papel!”, afirmou.

Segundo Rubio, muitos passaram a acreditar que “a era de domínio do Ocidente havia chegado ao fim”. Ele contestou essa leitura e declarou que o declínio “foi uma escolha — e uma escolha que nossos predecessores se recusaram a fazer”.

O secretário afirmou que os EUA não têm interesse em ser “zeladores educados e ordeiros do declínio administrado do Ocidente”. Defendeu a necessidade de “renovar a maior civilização da história humana” e convocou uma aliança transatlântica disposta a “defendê-la”. Também disse que deseja aliados “orgulhosos de sua cultura e de sua herança” e que reconheçam que “somos herdeiros da mesma grande e nobre civilização”.

Em outro momento, reforçou a ligação histórica entre EUA e Europa: “para nós, americanos, nossa casa pode ser no Hemisfério Ocidental, mas sempre seremos uma criança da Europa”.

Rubio ainda exaltou as origens coloniais dos Estados Unidos, afirmando que “nossas primeiras colônias foram construídas por colonos ingleses” e destacando a influência de exploradores europeus na formação do país.

Ao abordar sua própria história familiar, fez questão de negar sua origem cubana e situar suas raízes no continente europeu. Recordou que, no ano da fundação dos Estados Unidos, seus antepassados viviam “no Reino do Piemonte-Sardenha” e em “Sevilha, Espanha”. E acrescentou que “um de seus descendentes diretos estaria de volta aqui hoje neste continente como o principal diplomata daquela jovem nação”, concluindo: “aqui estou”.