Em nova nota, Carrefour fala em dia mais triste da história, mas silencia sobre funcionária conivente

Mulher que gravou imagem e tentou impedir que outros o fizessem foi convivente

O Carrefour divulgou nota nota neste sábado, enquanto a família enterra João Alberto Silveira Freitas. A empresa diz que 20 de novembro foi o dia mais triste de sua história.

Para a família de João Alberto a tristeza foi maior, e o dia da tragédia, outro. Foi 19 de novembro.

Para o Carrefour faz sentido que a referência seja 20. Foi o dia da repercussão.

Mas, incrivelmente, o Carrefour viu suas ações na Bolsa subirem, um escárnio do mercado.

Em vez de notas, a rede faria melhor se tomasse medidas concretas.

Não há notícia de afastamento daquela funcionária que gravou toda a sessão de espancamento e ainda, ao final, quando João Alberto agonizava, se aproximou e disse que os homens só tirariam o joelho e os braços de seu corpo quando a Brigada Militar chegasse.

Chegou, assim como Samu, e ele já estava morto.

Essa mesma funcionária mentiu ao dizer que João Alberto agrediu uma pessoa no segundo andar da loja.

As imagens não mostram nada disso.

No vídeo que ela tentou impedir de que fosse gravado, feito por uma testemunha, a funcionária aparece falando dessa agressão como justificativa para o massacre.

“Vou te queimar”, disse ela quando soube que o crime estava sendo gravado.

Até agora, não se sabe o nome da funcionária. Ela também teria dito à polícia que o espancamento foi em resposta a um soco que João Alberto teria dado em um dos seguranças.

Segue a nota do Carrefour:

O dia 20 de novembro, que deveria ser marcado pela conscientização da inclusão de negros e negras na sociedade, foi o mais triste da história do Carrefour.

Palavras não expressarão nossa angústia com a brutalidade.

Daremos todo o apoio à família de João Alberto Silveira Freitas e, em respeito a ele, nossa loja de Passo D’Areia fechou ontem e permanecerá fechada hoje.

Além disso, todo o resultado das vendas do dia 20 de novembro das lojas Carrefour Hipermercados será doado para entidades ligadas à luta pela consciência negra.

Hoje, abrimos mais tarde para reforçarmos o treinamento antirracista com todos os nossos funcionários e terceiros.

Continuaremos com nossa transparência, informando os próximos passos.

Nada trará a vida de João Alberto de volta, mas estamos certos de que este momento de profundo pesar se converterá em ações concretas que impedirão que tragédias como essa se repitam.

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