Em que circunstâncias Lula voltaria?

Lula
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E então, Lula volta ou não?

É uma especulação que vai se fazer cada vez mais nos próximos dias, por conta dos resultados do último Datafolha.

Racionalmente, a resposta parece ser: volta se for preciso, e apenas neste caso.

Lula será necessário, para o PT, caso fique claro que Dilma pode perder as eleições de outubro.

É melhor para o PT encontrar uma saída honrosa para Dilma – na hipótese ainda remota de as coisas se complicarem – do que arriscar a perda da presidência e correr o risco de se transformar num novo PSDB, com muito passado e pouco futuro.

O problema, para o PT, não está nem em Aécio e nem em Eduardo Campos, dupla com escassas chances de entusiasmar os eleitores.

O risco, para a candidatura Dilma, chama-se Marina.

Ela apareceu no Datafolha, numa simulação, com 27% das intenções, o triplo de Campos.

Campos vai abrir espaço para Marina? Esta é outra questão que torna o debate eleitoral um jogo de xadrez.

Se Marina for a candidata, crescerão as chances de uma troca de Dilma por Lula, porque ela é o único nome na oposição realmente caro ao eleitorado.

Marina não se queimou – ao contrário do mundo político em geral – nos protestos de junho passado.

Isso é uma credencial poderosa para uma candidatura – desde que Campos saia do caminho.

Marina é vaga em seu programa e em seu projeto, mas quem não é entre os candidatos à presidência?

Veja os assuntos realmente relevantes: regulação da mídia, ou reforma tributária que cobre mais impostos dos ricos. Alguém fala nisso?

É curioso. Mas os debates sobre os 50 anos do golpe trouxeram à cena a plataforma que custou o cargo a João Goulart.

A agenda de Jango era muito mais moderna, límpida e rica do que a de qualquer candidato presidencial – e não apenas nestas eleições.

Jango queria uma sociedade menos desigual: planejava estender, por exemplo, o voto aos analfabetos, então uma larga parcela entre os brasileiros. Isso significava inclusão social.

Para fortalecer a economia nacional, queria limitar as remessas de lucros das empresas estrangeiras. Defendia, também, uma política externa independente, não servil aos Estados Unidos.

Isso para não falar na reforma agrária, hoje tão importante quanto antes.

Se algum partido ressuscitasse as propostas de Jango, os brasileiros estariam diante de um programa de governo formidável.

Mas não.

O que mais se vê é um blábláblá cheio de platitudes, fruto, provavelmente, do medo dos candidatos de desagradar as mesmas forças que levaram ao golpe contra Jango.

A falta de clareza de Marina, neste quadro, não pesa tanto contra ela quanto poderia pesar se os demais candidatos fossem mais claros e mais assertivos.

No xadrez da campanha de 2014, é possível que o PT e a oposição esperem agora para ver quem vai fazer o próximo movimento.

Se Marina substituir Campos — uma mudança óbvia, aliás – crescerão substancialmente as chances de Lula voltar mais cedo do que seus opositores gostariam.

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