Em SP, Câmara poupa secretário após posts incentivando demissão de petistas

Atualizado em 30 de outubro de 2026 às 23:54
Bruno Botacin, secretário de comunicações de Suzano. Reprodução

A Câmara Municipal de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, rejeitou por 16 votos a 1 um requerimento para apurar publicações do secretário de Comunicação Bruno Botacin que sugeriam a demissão de trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação ocorreu na quinta-feira (29), após a vereadora Fernanda Henrique (PT) pedir esclarecimentos da prefeitura sobre a conduta do integrante do governo municipal. Com informações de Metrópoles.

Botacin compartilhou as publicações em seu perfil pessoal no Instagram, fechado ao público, depois do resultado do segundo turno, no domingo (25). Um dos textos republicados sugere que o voto em Lula prejudicaria negócios, família e vida, citando empregadas domésticas, funcionários de empresários e barbeiros.

No requerimento derrotado, Fernanda Henrique questionou quais regras éticas a administração exige de ocupantes de cargos comissionados e de confiança nas redes sociais. A parlamentar também perguntou como a prefeitura trata os princípios de impessoalidade, decoro público e neutralidade institucional.

Durante a sessão, o vereador Edmar Donizete Oldani (PSD) defendeu o secretário. “Eu vi o arrependimento dele [Bruno]. Se formos fazer boletim de ocorrência para tudo que vemos hoje, haja boletim de ocorrência”, afirmou. Oldani disse ainda que Botacin não é preconceituoso, mas que políticos “às vezes erram” no calor da emoção.

Publicações de Bruno Botacin no Instagram

Posts sugeriam investigar perfis de funcionários

Outra publicação compartilhada pelo secretário aconselhava empregadores a verificar as redes sociais de seus funcionários para identificar quem teria feito o “L”. O texto recomendava a demissão caso o trabalhador manifestasse apoio a Lula.

Ribeirão Pires teve uma disputa apertada no segundo turno: Lula venceu com 50,1% dos votos, ante 49,9% de Flávio. A diferença entre os dois candidatos foi de 455 eleitores. No primeiro turno, Lula obteve 41,2%, enquanto Flávio alcançou 47,2%.

O artigo 301 do Código Eleitoral prevê punição para quem usar violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em candidato ou partido. A pena indicada no dispositivo é de reclusão de até quatro anos e multa.

Bruno Botacin e o prefeito Luiz Gustavo Pinheiro Volpi (PL) não responderam aos questionamentos sobre as publicações e sobre o pedido de apuração até a divulgação do caso.

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