Em sua posse, Alckmin fingiu novamente que a Sabesp e a falta de água não existem

Chuchu beleza
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A presidente Dilma Rousseff tomou posse neste dia 1º de janeiro de 2015, junto com todos os governadores eleitos no ano passado, incluindo o tucano Geraldo Alckmin para seu quarto mandato. No discurso, Dilma defendeu uma apuração rigorosa das acusações de corrupção dentro da Petrobras. “Temos, assim, que saber apurar e saber punir”, disse ela, também ressaltando a importância do corpo técnico da empresa que está extraindo petróleo do pré-sal.

Por que Geraldo Alckmin nem menciona os problemas técnicos que também causaram a falta de água do Sistema Cantareira, administrado pela Sabesp?

O discurso do governador reeleito ficou no terreno morno dos investimentos no transporte, sendo que a malha do metrô paulistano não sai do patamar de 60 quilômetros, uma humilhação diante de outras metrópoles internacionais.

A Sabesp não tomou os cuidados para manter a vegetação de mananciais, não fez nenhum plano consistente de racionamento e deixou que as reservas do Sistema Cantareira esgotassem.

Entrou em ação o volume morto das águas represadas e hoje, mesmo com chuvas, o patamar de abastecimento fica em 7%. Cidades passam por “racionamento forçado” no período da madrugada.

Outros locais, como a cidade de Itu, ficaram sem água por até 10 dias seguidos, provocando revolta da população local.

Mas não vamos ficar apenas nas informações que foram divulgadas. Vamos analisar as duas empresas.

Tanto a Sabesp quanto a Petrobras são empresas de capital misto, ou seja, tem tanto participação pública quanto privada. A petrolífera tem participação do governo federal, enquanto a outra empresa tem participação estadual.

Ambas são listadas em bolsas de valores. A Petrobras chegou a valer 23 reais em setembro na Bovespa e hoje caiu para 9,80 reais, oscilando até 10. A Sabesp também teve uma alta até 24 reais em junho e caiu hoje para 17 reais. Embora a petrolífera esteja mais barata, ela recebe mais recomendações de compra das ações pela capacidade de crescimento ao longo de 2015, com os desdobramentos das investigações.

A presidente da Sabesp, Dilma Pena, chegou a omitir dados técnicos sobre a estiagem da água para não alertar a população de São Paulo durante o período eleitoral em outubro. Isso teria acontecido por “ordens superiores”.

Por que a atuação da Sabesp nunca é explicada? Porque é culpa da seca, de São Pedro e da falta de verbas do governo federal.

Nunca é culpa de ingerência técnica, nem da demagogia ou da falta de transparência do governo do estado de São Paulo.