Em tempos de Trump e ICE, jogador dos Patriots aparece descalço e algemado no Super Bowl

Atualizado em 9 de fevereiro de 2026 às 7:17
O jogador dos Patriots, Mark Hollins, chega descalço e algemado ao Super Bowl. Foto: Charlie Riedel/AP

O jogador do New England Patriots, Mack Hollins, chegou descalço e algemado ao Super Bowl neste domingo (8), em uma entrada performática que ocorreu em meio ao clima de tensão política nos Estados Unidos, marcado por protestos contra o ICE e críticas do presidente Donald Trump ao show do intervalo.

A chegada de Hollins ao estádio ocorreu enquanto o país vivia uma onda de protestos contra o ICE, após mortes atribuídas à atuação da agência no estado de Minnesota. Às vésperas do evento, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a afirmar que o ICE estaria “em todo o lugar” durante o Super Bowl.

O wide receiver entrou no Levi’s Stadium descalço, algemado, usando máscara, uniforme de presidiário e correntes presas às pernas.

O visual de Hollins remeteu imediatamente a Alcatraz, uma das prisões mais famosas dos Estados Unidos, localizada na Baía de São Francisco. A máscara usada pelo jogador levou fãs a compará-lo ao personagem Hannibal Lecter.

Nas mãos, Hollins carregava uma camisa com a palavra “Warriors”, depois identificada como uma camiseta de ensino médio de Mike Vrabel, ex-atleta da Walsh Jesuit High School, em Ohio.

O gesto também remeteu à entrada de Hollins na final da AFC, quando prestou homenagem ao filme The Warriors, referência já adotada anteriormente pelo elenco dos Patriots.

Trump chama show de Bad Bunny de “bagunça” e ataca Super Bowl

O episódio se soma a outra manifestação em torno do evento. Na mesma noite, o presidente Donald Trump atacou o show do intervalo comandado por Bad Bunny, chamando a apresentação de “bagunça” e “afronta à grandeza da América”.

“Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu Trump.

Em seguida, atacou o idioma e a coreografia: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”. O republicano concluiu afirmando que o show foi “um tapa na cara do nosso país”.

Bad Bunny se apresentou no intervalo da final da liga de futebol americano, um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana. O cantor tornou-se o primeiro artista a comandar um show de intervalo integralmente em espanhol, levando o reggaeton e o latin trap ao centro do espetáculo mais rentável do entretenimento esportivo dos EUA.

O caráter simbólico da apresentação também incomodou setores conservadores. Grupos ligados à extrema-direita, como o Turning Point USA, organizaram uma “programação paralela” ao show oficial, com apresentações alternativas transmitidas pelas redes sociais, em protesto contra o que classificaram como politização do Super Bowl.

O ataque de Trump ao show transformou a apresentação em mais um capítulo da disputa cultural que atravessa os Estados Unidos. O que tradicionalmente é tratado como entretenimento “inofensivo” acabou exposto como palco de embates sobre identidade, imigração e poder simbólico, com a música latina ocupando, talvez pela primeira vez, o centro absoluto do maior evento esportivo do país.