Embaixador da China diz como o país conseguiu erradicar a pobreza: “Filosofia centrada nas pessoas”

Publicado no Correio Braziliense

População rural da China, que vive abaixo da linha de pobreza diminuiu de 770 milhões, em 1978, para 16,6 milhões, em 2018

Por Yang Wanming — Embaixador da China no Brasil

A pobreza é um dos maiores desafios para o desenvolvimento e a governança global. Maior país em desenvolvimento do mundo, a China há muito tempo enfrenta esse flagelo. Desde 2012, o governo chinês travou uma batalha decisiva contra a pobreza. Ao retirar quase 100 milhões de pessoas da pobreza, a China cumpriu a árdua missão de erradicar a miséria absoluta. Pelos padrões do Banco Mundial, a China responde por mais de 70% da redução da população em pobreza mundial.
No livro branco Alívio da pobreza: Experiência e contribuição da China, lançado em abril deste ano, a China compartilha seus conceitos e ações nessa trajetória.

Em primeiro lugar, seguir uma filosofia centrada nas pessoas. Como a erradicação da pobreza é uma das prioridades do Estado, essa agenda está sempre presente em planos de desenvolvimento a médio e longo prazos, a fim de assegurar a coerência das políticas e a estabilidade dos apoios financeiros. Há planos de ação em todas as esferas de governo, além de um completo mecanismo de trabalho.

Segundo, adotar estratégias objetivas e adequadas. Diferentemente do assistencialismo tradicional, a China adotou uma abordagem por meio de promoção de desenvolvimento, com táticas mais precisas para impulsionar a melhoria das condições de desenvolvimento das áreas pobres e elevar o nível de escolaridade e de qualificação laboral da população carente. Tendo em vista as diferenças regionais e demográficas, foram tomadas medidas bem direcionadas: desenvolvimento industrial, realocação da população de áreas inóspitas, compensação ambiental, melhoria da educação, treinamento vocacional e seguridade social.

Xinjiang, por exemplo, a maior região autônoma da China em extensão territorial e em percentagem de população de minorias étnicas, tinha também vários bolsões de pobreza. Na região onde há maiores produtores de uva e melão, o governo local promove tecnologias de conservação e beneficiamento para aumentar o valor agregado desses produtos. Também são oferecidos cursos de produção de joias, aproveitando-se do recurso mineral de jade. Já nas áreas produtoras de algodão são difundidas técnicas têxteis e o manejo de colheitas mecanizadas. Nos últimos 60 anos, um total de 3 milhões e 89 mil habitantes locais saíram da pobreza, o PIB per capita de Xinjiang aumentou quase 40 vezes e a expectativa de vida subiu de 30 para 72 anos.

Terceiro, convergir esforços conjuntos. Para completar a meta de erradicar a pobreza, a China implementou um sistema abrangente, que conta com a participação do governo, da sociedade e do mercado. Por meio de incentivos tributários e outras políticas, promoveu o fluxo de talentos, capital e tecnologia de 342 localidades mais desenvolvidas do Leste para 570 destinos menos favorecidos no Oeste. Estimulou ainda empresas privadas, organizações sociais e indivíduos a contribuírem, conforme suas vantagens, para a redução da pobreza nos setores de indústria, ciência e tecnologia, educação, cultura, saúde e consumo. Ao mesmo tempo, valendo-se da tecnologia digital, foram incentivadas novas formas de negócios, como comércio eletrônico rural e ecoturismo, para motivar o empreendedorismo e a criatividade na população de baixa renda.

Quarto, promover a cooperação internacional. Nos mais de 70 anos desde a fundação da República Popular, a China disponibilizou mais de US$ 60 bilhões para ajudar quase 170 países e organizações internacionais, implementou mais de 5 mil projetos de assistência externa, apoiando os países em desenvolvimento na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O governo chinês criou o Fundo China-Nações Unidas para a Paz e o Desenvolvimento e o Fundo de Amparo à Cooperação Sul-Sul, impulsionando a concretização da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. A iniciativa chinesa “Cinturão e Rota” também ajuda os países parceiros no combate à pobreza. O Banco Mundial prevê que parcerias no âmbito dessa iniciativa ajudarão a tirar 7,6 milhões de pessoas da pobreza extrema e 32 milhões da pobreza moderada.

Sob o impacto do alastramento da pandemia, a humanidade vê crescer seu deficit de governança e de desenvolvimento. A China está disposta a trabalhar com o Brasil e os demais países para fortalecer o intercâmbio e a cooperação na redução da pobreza, unir forças para construir uma comunidade de futuro, compartilhado com vida digna e progresso comum.

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