
Integrantes do grupo bolsonarista “Empreendireita”, de Atibaia, no interior de São Paulo, compartilham listas de boicote a comerciantes apontados como apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mensagens que sugerem violência contra petistas e o envenenamento do presidente. Os registros foram divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Metrópoles.
Em uma das conversas, um participante escreve “Minha opinião sobre petista é só uma”. Em seguida, aparece uma imagem de revólver acompanhada de uma frase sobre usar a arma para “resolver” a situação. Outro registro mostra uma mensagem que sugere envenenar Lula no hospital, após o compartilhamento de uma notícia sobre exames médicos do presidente.
O grupo foi criado pelo empresário do setor siderúrgico Fabiano Golffeti, segundo a reportagem, após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A página exibida nos registros informa a criação em 31 de outubro. Na descrição, os organizadores defendem a livre iniciativa e o livre comércio, declaram discordância do governo e propõem fortalecer negócios de pessoas que compartilhem seus princípios.
Moradores cobram um posicionamento do prefeito de Atibaia, Daniel Martini (PL). Uma publicação do influenciador local Zizolino, no Instagram, questiona o silêncio do chefe do Executivo municipal. A reportagem também apresenta uma fotografia de Martini ao lado de Golffeti.
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Diante dos relatos de boicote e perseguição política, o deputado estadual Emídio de Souza (PT-SP) enviou ofício ao Ministério Público de São Paulo pedindo a apuração de listas contra comerciantes e profissionais identificados como simpatizantes do PT, além de eventuais participações de agentes públicos. O parlamentar também acionou a Fiesp e a FecomércioSP sobre ameaças de demissão, dispensas e recusas de contratação por razões políticas.
Campanhas semelhantes foram registradas em outras cidades. Em Pirassununga, o vice-prefeito Lawrence Waclawiack, conhecido como Lawrence Patriota (Novo), incentivou o boicote em um grupo de WhatsApp. Depois, afirmou que sua manifestação havia sido retirada de contexto e negou defender prejuízo aos comerciantes locais.
Questionado pelo Metrópoles, Golffeti alegou que as ações têm respaldo em um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre liberdade de expressão e direitos da personalidade. A Prefeitura de Atibaia não havia respondido ao veículo até a atualização da reportagem, às 18h37 desta quarta-feira (4).