Empresa com capital de R$ 2 milhões foi usada pelo Master em fraude bilionária

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 23:20
Banco Master. Foto: Reprodução

O Banco Master utilizou a Brain Realty Consultoria e Participações, empresa com capital social de apenas R$ 2 milhões, como peça central de uma ciranda financeira bilionária apontada em denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal, conforme informações da Folha de S.Paulo.

A empresa tomou R$ 459 milhões em empréstimos do Master, mas o dinheiro não foi aplicado em suas atividades: foi direcionado a fundos da Reag, gestora ligada ao esquema de fraudes envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

É a primeira vez que o nome de uma empresa aparece nas investigações sobre a suposta estrutura de desvio por meio de fundos de investimento. Segundo os investigadores, os fundos tinham como donos laranjas ligados a Vorcaro para lavar dinheiro, e pelo menos R$ 11,5 bilhões teriam circulado na operação.

A Brain Realty tem como presidente Marisa Nassar, ex-funcionária da Reag. Ela disse que não poderia comentar e indicou Leonardo Donato, que também não se manifestou.

A Receita Federal aponta Donato como administrador da Blum Capital Partners, acionista da Reag Asset Management. O capital social da Brain saltou de R$ 100 para R$ 2,2 milhões em dezembro de 2023, quatro meses antes do empréstimo do Master.

A ata que formalizou o aumento foi presidida por João Carlos Mansur, fundador da Reag, que deixou a empresa após a operação Carbono Oculto, que investiga fundos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A notícia que Daniel Vorcaro, do Banco Master, não queria que fosse publicada | Brazil Economy
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

Transferências e fundos inflados com papéis sem valor

A Brain Realty obteve um empréstimo de R$ 459 milhões, que foi imediatamente transferido para o fundo Brain Cash, administrado pela Reag e com a própria Brain como única cotista. Horas depois, os recursos foram movidos para outro fundo da Reag, o D Mais, que tinha como principal ativo certificados antigos de ações do extinto Besc — papéis físicos de baixo valor usados para inflar artificialmente o patrimônio dos fundos.

Os gestores compravam esses certificados como se valessem milhões, justificando retiradas e movimentações entre fundos da própria Reag. A suspeita é que parte desses recursos tenha sido desviada para laranjas ligados a Vorcaro, segundo investigadores.

Outras denúncias contra o Banco Master

As fraudes com fundos fazem parte de um conjunto de representações já enviadas pelo Banco Central ao Ministério Público Federal.

A primeira denunciou a venda, ao BRB, de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes. A segunda descreveu sobreposição de fundos com patrimônio inflado por recursos de empréstimos do Master, captados por meio de CDBs de investidores.