Empresa é alvo da PF por lavagem de dinheiro e rifas ilegais com nomes de grandes clubes

Atualizado em 11 de abril de 2026 às 6:18
GAECO do MP-RS e Polícia Militar em operação
Foto: Divulgação/ Ministério Público do RS

A operação Estrela Cadente cumpriu mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (10) em São Paulo contra uma empresa investigada por promover rifas eletrônicas ilegais com uso indevido do nome e da imagem de clubes de futebol. A investigação é conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do GAECO, e também apura fraudes patrimoniais e lavagem de dinheiro.

Segundo o MPRS, a empresa tinha atuação nacional e estruturava as campanhas por meio da venda de “cotas” ou “e-books”, com promessa de prêmios em dinheiro e outros bens. A suspeita é de que os sorteios fossem apresentados como rifas para aparentar regularidade, enquanto o uso das marcas dos clubes servia para ampliar o alcance das campanhas e dar aparência de legalidade ao negócio.

As buscas ocorreram na capital paulista, em Santo André e em São Caetano do Sul, em endereços residenciais e operacionais ligados aos investigados. Em São Paulo, uma das diligências atingiu um escritório na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Foram apreendidos celulares, computadores, mídias eletrônicas, documentos, contratos e registros financeiros que agora serão analisados pelos promotores.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul informou que as apurações também apontaram o uso fragmentado de empresas de tecnologia, marketing e intermediação de pagamentos para receber e circular os valores arrecadados. Para os investigadores, essa dinâmica era incompatível com promoções regulares e pode indicar uma estrutura montada para ocultar a origem e o destino do dinheiro.

Camiseta do Grêmio
Grêmio teve o Pix das Estrelas como patrocinadora. Foto: Divulgação/Grêmio

O órgão não divulgou oficialmente o nome da empresa, mas o g1 identificou a investigada como a plataforma Pix das Estrelas, antigo patrocinador do Grêmio. De acordo com a publicação, a companhia firmou e depois rompeu parceria com o clube gaúcho em 2025. O MPRS também citou campanhas associadas de forma premeditada a clubes de futebol de todo o país, incluindo Grêmio e Avaí.

Em nota reproduzida pelo MPRS, o coordenador estadual do GAECO, Rogério Meirelles Caldas, afirmou que a operação integra a estratégia do órgão para enfrentar estruturas financeiras usadas com proveito do crime. O material apreendido deve embasar o rastreamento dos valores arrecadados, a identificação de terceiros eventualmente envolvidos e novas medidas judiciais. O Ministério Público informou ainda que outras fases da operação não estão descartadas.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.