
A Baires Fly, empresa argentina responsável pelo avião particular utilizado por Flávio Bolsonaro (PL) para deixar a Argentina após sua fuga do Brasil, aparece em uma investigação de lavagem de dinheiro relacionada a um esquema de corrupção na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), órgão do governo de Javier Milei responsável pelo atendimento a pessoas com deficiência. O caso envolve suspeitas de superfaturamento na compra de medicamentos e emissão de notas fiscais por voos que não teriam sido realizados.
A participação da Baires Fly no transporte de Flávio foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina nesta quarta-feira (28). Segundo o comunicado oficial, o ex-candidato à Presidência do Brasil atravessou a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, às 22h50 de terça-feira (27), acompanhado de três familiares.
O órgão identificou os passageiros como Flávio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro. Todos ingressaram no território argentino pela Ponte Internacional Tancredo Neves, apresentando documentos válidos e sem impedimentos legais para entrar no país.
Às 23h30, os quatro embarcaram em um voo privado operado pela Baires Fly S.A., com destino declarado à cidade de Guayaquil, no Equador. A informação consta no comunicado divulgado pelas autoridades migratórias argentinas. A viagem ocorreu menos de 48 horas depois da derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições brasileiras.

A Baires Fly pertence ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, citado nas investigações sobre o esquema de corrupção na ANDIS. Segundo as suspeitas apuradas pelo Ministério Público argentino, a companhia recebeu recursos de fornecedores envolvidos em contratos de medicamentos com preços superfaturados e emitiu notas fiscais referentes a serviços de transporte aéreo que não foram efetivamente prestados.
Os investigadores apontam que o mecanismo permitia justificar transferências financeiras por meio de operações comerciais fictícias. Dessa maneira, valores provenientes das irregularidades investigadas poderiam ser incorporados à contabilidade da empresa como pagamentos por voos particulares. A suspeita é de que a Baires Fly tenha sido utilizada para lavar dinheiro desviado de contratos públicos.
O escândalo da ANDIS ganhou repercussão na Argentina em 2025, após a divulgação de gravações que mencionavam Karina Milei, irmã do presidente Javier Milei e secretária-geral da Presidência, como suposta destinatária de pagamentos de propina. As acusações provocaram uma crise política no governo argentino e passaram a integrar o debate sobre irregularidades na contratação de fornecedores da agência.
As investigações também envolveram empresários e integrantes da administração pública responsáveis por contratos e pagamentos da ANDIS. A apuração sobre a Baires Fly concentra-se nas operações financeiras realizadas com empresas fornecedoras e na emissão de documentos fiscais relacionados a voos particulares.
O transporte de Flávio Bolsonaro pela companhia ocorreu depois de sua saída do Brasil pela fronteira terrestre com a Argentina. A aeronave utilizada na viagem estava no aeroporto de Puerto Iguazú, de onde partiu com destino declarado ao Equador.