Empresário bolsonarista, amigo de Luciano Hang, é investigado por falsificar carros de luxo. Por Joaquim de Carvalho

Luciano e Nilton (à direita), acusado pela polícia

Na última segunda-feira, 15 de julho, o G1, portal da Globo, divulgou a notícia da descoberta de uma fábrica de carros de luxo falsificados em Itajaí, Santa Catarina.

A reportagem, estranhamente, não divulgou os nome dos proprietários. Informa apenas que eram pai e filho e seriam indiciados por crime contra propriedade industrial.

Eles são Nílton e Alan Goes, personagens destacados da sociedade catarinense. Em outubro do ano passado, Nílton gravou um vídeo em apoio à candidatura de Jair Bolsonaro.

“Eu venho aqui para dizer por que devemos votar no Bolsonaro. Eu quero um país limpo, livre e sem corrupção”, disse ele, com a camiseta do candidato do PSL.

Depois, ele entrevista seus funcionários da empresa, todos com a camiseta de Jair Bolsonaro, inclusive um senhor humilde, que se chama seu Antônio e é instado a falar sobre por que votaria em Bolsonaro.

“Seu Antônio do Nordeste…”, diz ele, olhando para a câmera. “Por que, seu Antônio?”

Seu Antônio, um senhor grisalho, magro, de boné, explica:

“Votem no Bolsonaro porque Bolsonaro vai ser um bom presidente. Não votem no Haddad porque o Haddad não presta, porque não foi um bom prefeito em São Paulo”.

O patrão aprova. “Está ótimo, seu Antônio.” Em seguida, chama outro empregado.

Os depoimentos parecem tão espontâneos quanto um flamenguista no meio da torcida do Vasco.

Seu Nílton, agora acusado de pirataria, explica quem o estimulou a gravar o vídeo, que, numa interpretação rigorosa, poderia ser visto como abuso do poder econômico.

“Atendendo ao pedido do meu amigo Luciano, da Havan, eu vim aqui para dizer por que devemos votar no Bolsonaro”, disse.

Luciano Hang, o dono da Havan, aparece em várias fotos da rede social de Nílton.

Nílton Gois, no vídeo que divulgou em apoio a Bolsonaro

Antes de ser acusado de pirataria, Nílton deu entrevista em que anunciava a intenção de produzir até aviões.

Nenhum saiu do chão, e as réplicas que a Ferrari e a Lamborghini denunciam como piratas estão recolhidas, embora o empresário insista que não cometeu crime.

“O carro é todo documentado e legalizado. Se eu consigo legalizar um carro, ele não tem nada de ilegal porque tem fé pública, um órgão que é emitido por um órgão de trânsito, que é o Denatran”, disse ele ao UOL, dois dias depois da primeira reportagem.

O delegado Angelo Fragelli, da 1ª Delegacia de Polícia de Itajaí, tem outro entendimento e suspeita que haja conivência dos servidores públicos que concederam os documentos para os carros fabricados pelo empresário que, com Bolsonaro, parecia estar numa cruzada contra a corrupção.

“Agora nós vamos ouvir clientes, fornecedores de peças e funcionários públicos de Santa Catarina e de outros estados. Não há a possibilidade desses veículos serem licenciados como protótipos porque eles usavam desenhos e marcas patenteadas”, explicou o delegado. ”Está caracterizada a falsificação e não poderiam ser liberados.”

Segundo a polícia, a Ferrari pirata dele custava entre R$ 180 mil e R$ 250 mil – abaixo dos praticados pelas montadoras. Os modelos originais são vendidos no mercado por valores entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões.

Nílton Goes é mais um bolsonarista que tomba, um moralista sem moral.

Como o crime de pirataria é considerado de pequeno potencial ofensivo, ele e o filho não foram presos.

Nilton Gois e Luciano Hang: na fábrica de veículos falsificados

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