Empresário confessa fraude milionária no INSS e assina delação com a PF

Atualizado em 9 de abril de 2026 às 20:39
O empresário Maurício Camisotti
O empresário Maurício Camisotti. Foto: Ronny Santos/Folhapress

Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025 por suspeita de envolvimento nas fraudes em descontos sobre aposentadorias e pensões do INSS, assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e confessou a existência das irregularidades. Em seguida, a defesa enviou o material ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, que vai homologar o acordo.

A colaboração vinha sendo negociada desde o fim do ano passado. Segundo os relatos publicados nesta quinta-feira (9), a PF já colheu os depoimentos de Camisotti e, com isso, o acordo se tornou a primeira delação formalizada no âmbito da Operação Sem Desconto. Além disso, a defesa espera obter prisão domiciliar após a homologação. Antes disso, porém, o material ainda deve passar pela Procuradoria-Geral da República.

A Operação Sem Desconto apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo dados oficiais da CGU, 97% dos beneficiários entrevistados disseram não ter autorizado os descontos. Além disso, o órgão estima que até 6 milhões de pessoas podem ter sido atingidas, com impacto de R$ 6,3 bilhões.

Viatura da Polícia Federal
Foto: Divulgação/Polícia Federal

As investigações apontam Camisotti como um dos principais operadores do esquema. Segundo a apuração mais recente, ele controlava Ambec, Unsbras e Cebap por meio de funcionários e parentes do próprio grupo. Juntas, essas associações teriam faturado R$ 580 milhões apenas no último ano e, desde 2021, mais de R$ 1 bilhão.

A investigação também rastreou repasses e movimentações financeiras ligadas ao empresário. Nesse sentido, empresas associadas a Camisotti receberam transferências da Ambec, uma das entidades sob apuração, enquanto o INSS repassou quase R$ 400 milhões à associação entre 2023 e 2025. Além disso, relatório do Coaf citado na apuração apontou 17 saques em espécie entre 2018 e 2025, incluindo uma retirada de R$ 3 milhões.

Por fim, em março, um desdobramento da Operação Sem Desconto determinou a prisão de outros dois investigados e o uso de tornozeleira eletrônica pela deputada Gorete Pereira (MDB-CE), que nega irregularidades. Atualmente, o caso segue sob relatoria de André Mendonça no Supremo.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.