Empresário de Maringá, feudo de Ricardo Barros, cuida de compra e distribuição de vacinas contra covid

Luciano Hang (à esquerda), da Havan, Carlos Wizard (ao centro), fundador da Wizard, e Emanuel Catori (à direita), da Belcher Farmacêutica do Brasil. Foto: Divulgação

Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros, apontado na sexta-feira (25) por Luis Miranda como o homem acobertado por Bolsonaro na fraude da Covaxin, está conectado em um esquema com uma vacina possivelmente mais superfaturada do que a indiana.

ENTENDA – Maringá, Ricardo Barros, Luciano Hang e a vacina da CanSino, negócio que pode chegar a R$ 5 bilhões

Em meados de junho de 2021, o Ministério da Saúde assinou intenção de compra de 60 milhões de doses de uma vacina contra a covid-19 chamada Convidecia, do laboratório chinês CanSino. O preço é de 17 dólares a dose, mais cara que a Covaxin.

O preço da vacina produzida pelo laboratório chinês em negócio intermediado por Catori e Barros é cerca de 70% mais cara que a vacina oferecida pela Pfizer. No fim de 2020, o laboratório americano tinha oferecido o imunizante por US$ 10 a dose. Mesmo no começo de 2021, havia feito uma segunda oferta, a US$ 12. Ambas as propostas são mais vantajosas que a vacina da CanSino.

A se confirmar o negócio, que está na dependência da Anvisa, será a vacina mais cara negociada pelo Brasil. Estamos falando de um negócio de mais de R$ 5 bilhões. A representante da CanSino no país é a Belcher Farmacêutica do Brasil, com sede em Maringá, cidade que é feudo de Barros.

MAIS – Ricardo Barros, do escândalo da Covaxin, tem ligação com farmacêutica intermediária de outra vacina

Um dos sócios da Belcher é Emanuel Catori.

A repórter Monique Manganaro fez um perfil sobre ele na CBN Maringá, da Globo.

Leia:

Emanuel Catori da Belcher Farmacêutica do Brasil. Foto: Divulgação

“Um grupo de empresários brasileiros, entre eles o diretor de uma farmacêutica instalada em Maringá, criou um movimento para conseguir permissão para adquirir e distribuir vacinas contra a Covid-19. O principal objetivo é conseguir acelerar a vacinação da população contra a doença causada pelo novo coronavírus.

Entre os líderes do movimento estão os empresários Luciano Hang, proprietário das lojas Havan, Carlos Wizard, fundador da rede de ensino de idiomas Wizard, e o paranaense Emanuel Catori, diretor presidente da Belcher Farmacêutica do Brasil, de Maringá.

Catori explica que o principal objetivo do grupo é obter a permissão para que empresas brasileiras comprem e doem vacinas contra a covid-19 não apenas para o Sistema Único de Saúde (SUS), mas também para outros setores. ‘O que nos levou a tomar essa atitude foi agilizar o processo de vacinação em massa para que tudo volte à normalidade o mais rápido possível’, argumenta.

O movimento liderado pelos empresários tem apoio de representantes de diversos setores em todo o País. Segundo Catori, caso a proposta feita pelo setor privado seja aceita, o movimento poderia disponibilizar rapidamente ao Brasil um lote com oito milhões de doses de vacinas.

O empresário não cita valores e nem dá detalhes sobre o laboratório que forneceria as doses, mas adianta que as vacinas poderiam chegar ao Brasil em apenas 30 dias, após a negociação ser autorizada pelo governo federal.

A intenção, de acordo com ele, é doar 50% das doses de vacinas compradas pelo grupo para o SUS. A doação dos 50% restantes seria feita a critério de cada empresário que colaborou com a compra.

Contudo, com a legislação atual determinando que 100% das doações de vacinas devem ser repassadas ao SUS, o principal obstáculo do grupo é conseguir negociar o destino das doses.

‘Embora o governo federal esteja fazendo a sua parte, com um excelente Plano Nacional de Imunização, a entrada da força do setor privado pode ajudar muito na velocidade da imunização da população brasileira, é uma soma onde a nação só tem a ganhar’, avalia Catori.

Uma viagem de representantes do movimento a Brasília para uma conversa com autoridades do governo federal está programada para esta semana”.

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