Empresário diz que R$ 1,2 milhão na casa de sargento preso era dele e aciona a PM na Justiça

Atualizado em 26 de fevereiro de 2026 às 9:32
R$ 1,2 milhão apreendido na casa de sargento. Foto: reprodução

Um empresário afirmou à Corregedoria da Polícia Militar que é o dono da mala com quase R$ 1,2 milhão apreendida na casa do sargento Nereu Aparecido Alves, preso em fevereiro sob suspeita de integrar uma organização criminosa. A declaração foi formalizada por meio de petição protocolada pelo empresário Ricardo Barnabé, que se apresentou voluntariamente para prestar esclarecimentos e comprovar a origem dos valores.

Nereu e outros dois policiais militares foram detidos no dia 4 de fevereiro, acusados de escoltar dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Barnabé, sócio de empresas na Grande São Paulo e no interior, afirma não ter qualquer relação com a companhia.

Em documento assinado por seus advogados, ele diz que comparece às autoridades “para os esclarecimentos necessários e para a juntada de documentação que comprova a origem e a licitude dos valores”.

Em entrevista por telefone, o empresário reforçou que a quantia lhe pertence. “Esse dinheiro tem origem, e vai ser provado nos autos”, disse. “A única coisa que eu quero é pegar meu dinheiro e sair dessa palhaçada aí. Tanto é que eu admiti que esse dinheiro é meu, não tem nada a ver com os outros”.

Ele não explicou por que mantinha a quantia em espécie nem por que o dinheiro estava na residência do policial, afirmando apenas que os detalhes serão apresentados quando for formalmente intimado.

O sargento Nereu Aparecido Alves. Foto: reprodução

Durante interrogatório, o sargento declarou que prestava serviços de segurança ao empresário e que, a pedido dele, buscou a mala em Bauru no dia 3 de fevereiro e a levou para a capital. Segundo o relato, como não conseguiu encontrar Barnabé pessoalmente, recebeu a orientação de guardar o dinheiro até o dia seguinte.

Na manhã seguinte, acabou preso na operação da Corregedoria, quando a quantia foi apreendida. O PM afirmou ainda que faz trabalhos extras desde que ingressou na corporação para melhorar a renda familiar.

Barnabé é sócio de seis empresas registradas na Junta Comercial de São Paulo, entre elas a Qualybem Food & Service, fornecedora de alimentos para instituições públicas como a Unifesp e a Universidade Federal do ABC. A defesa sustenta que ele não possui vínculo com a Transwolff, alvo central das investigações.

O inquérito também menciona mensagens envolvendo o ex-vereador Milton Leite. Nereu afirmou que não era autor de um conteúdo que o chamava de “chefe”, dizendo que as mensagens foram enviadas pelo capitão Alexandre Paulino Vieira e apenas encaminhadas por ele a um dirigente da empresa.

O capitão foi interrogado e negou qualquer ligação com o crime organizado, alegando que prestou serviços privados de segurança à Transwolff sem suspeitar de irregularidades.

“O capitão Alexandre nunca negou que ele administrou e gerenciou serviços particulares, privados, de segurança para Transwolff. Para a empresa Transwolff. E o que acontece? O principal motivo que ele tem para dizer jamais ter desconfiado de qualquer ilegalidade dentro da Transwolff é o fato de a empresa prestar serviço para a Prefeitura Municipal de São Paulo, contrato público”, afirmou o advogado Mauro Ribas.

O defensor questionou ainda a prisão do oficial: “Até agora não ficou claro no processo o que mudou de junho de 2024 para agora, 2026. Foi em 2024, quando a Corregedoria tomou conhecimento dessa prestação de serviço, que foi interrompida naquela época. Por que somente agora foi decretada essa prisão? Sendo que não há fato novo nenhum?”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.