Empresários de Brasília são confirmados como “laranjas” do Banco Master em auditoria no BRB

Atualizado em 21 de abril de 2026 às 8:53
Sede do Banco BRB. Foto: reprodução

O escritório Machado Meyer, responsável pela auditoria independente conduzida no Banco de Brasília em conjunto com a Kroll, afirmou à Justiça que os empresários brasilienses Adalberto Valadão Júnior e Leonardo Ávila atuaram como “laranjas” do Banco Master na compra de ações do BRB.

A informação aparece em documento apresentado à 13ª Vara Cível de Brasília no processo em que o banco público pede indenização pelas carteiras de crédito podres ou inexistentes adquiridas do Master e também solicita o bloqueio de ações em posse de pessoas e fundos ligados ao Master e à Reag.

Na manifestação, obtida pelo Metrópoles, o escritório descreve uma estrutura montada para esconder a origem e o destino das operações. Segundo a petição, houve “uso sistemático de estruturas pulverizadas, pessoas interpostas e ‘laranjas’ para dificultar a rastreabilidade perante os entes reguladores e fiscalizadores, tais como CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e Bacen [Banco Central]”.

O texto sustenta que a chamada engenharia de triangulação envolveu pessoas físicas e fundos administrados por entidades ligadas ao grupo Reag e à Master Corretora.

A peça cita nominalmente Adalberto Valadão Júnior e Leonardo Augusto Ávila como operadores sem intenção real de investimento. “A engenharia de triangulação envolveu: (a) pessoas físicas que atuaram como meros veículos de passagem, sem animus de investimento ou assunção de risco próprios, como Adalberto Valadão e Leonardo Augusto, que receberam juntos aproximadamente R$ 265 milhões para subscrever ações no ACP 1 e posteriormente aliená-las aos fundos Borneo e Verbier; e (b) fundos administrados e geridos por entidades do grupo Reag e Master Corretora, como Borneo, Delta, Deneb, Asterope FIP, Celeno, entre outros”, diz trecho do documento.

Organograma produzido pela auditoria da Machado Meyer

Segundo a auditoria, o fundo Borneo, administrado pela Reag, tornou-se sócio do BRB após comprar ações de Leonardo Ávila, dono da incorporadora Faenge, em julho de 2024. A operação, ainda de acordo com o documento, foi intermediada pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

“Como resultado dessa operação, o Borneo adquiriu 2.275.000 recibos de subscrição de ações ordinárias (ON) e 13.109.615 recibos de subscrição de ações preferenciais (PN) pelo valor total de R$ 129.999.997,75”, afirma o escritório que representa o banco estatal.

Já Adalberto Valadão Júnior teria servido, segundo a petição, para viabilizar a entrada do fundo Verbier, da Victoria FIM, no quadro societário do BRB por meio de contrato de compra e venda de recibos de subscrição no valor de R$ 130 milhões, também em julho de 2024.

O documento ainda registra que Valadão Júnior e Ávila estiveram ao lado de Paulo Henrique Costa em um evento do Lide realizado no Harvard Club, em Nova York, nos Estados Unidos.

As defesas dos empresários contestam a acusação. O advogado de Valadão Júnior afirmou que “as informações apresentadas na referida petição não correspondem à realidade dos fatos, uma vez que não houve qualquer ganho financeiro por parte de Adalberto na operação em questão”.

Também disse que os esclarecimentos já haviam sido prestados à equipe da auditoria do BRB. Em fevereiro de 2026, Ávila declarou por meio da assessoria que a cessão do direito “foi gratuita e sem nenhum benefício pessoal” e acrescentou: “Fora a cessão dos direitos de subscrição, reafirma-se que não há – nem nunca houve – relação comercial, profissional ou de serviços com o Banco Master ou a Reag”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.