Empresas do racista que atacou motoboy valem R$ 3 milhões

Mateus Abreu Almeida Prado Couto, o agressor. Foto: Reprodução/Twitter

Publicado originalmente no site do Brasil de Fato

POR IGOR CARVALHO

Um vídeo viralizou nas redes sociais nesta sexta-feira (7), escancarando mais um caso de racismo no Brasil. Nas imagens, um entregador é humilhado por um morador do Condomínio Vila Boa Vista, no bairro Invernada, em Valinhos, interior de São Paulo. O contabilista Mateus Abreu de Almeida Prado Couto aponta para o braço – num gesto tradicionalmente racista –  e diz “você tem inveja disso aqui” e, em seguida afirma: “você nem deve ter onde morar”.

O motoboy não se intimida diante da violência verbal e pergunta, em tom controlado, a Couto: “você conseguiu por quê? O seu pai te deu?”. O agressor é filho do empresário Fernando Magalhães Almeida Prado Couto, dono de três empresas que, somadas, possuem um capital social de R$ 3 milhões.

Na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), Couto consta como sócio das empresas Dezo Eventos Ltda; da Ativa Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda, e da A Estrela Empreendimentos e Participações Ltda, com capital social de R$ 1 milhão, R$ R$ 732 mil e R$ R$ 1,2 milhão, respectivamente. Todas com sede em São Paulo.

O caso

O caso ocorreu no dia 31 de julho deste ano, no município de Valinhos, no interior de São Paulo. Um entregador de aplicativo foi até o condomínio Vila Boa Vista levar a refeição de Mateus Abreu de Almeida Prado Couto, quando foi alvo de racismo. No mesmo dia, o motoboy registrou um Boletim de Ocorrência (BO).

No documento, o entregador afirma que não foi a primeira vez que Couto foi ofensivo com os trabalhadores que vão levar refeições no condomínio. No vídeo, é possível ver o contabilista exaltar sua condição social, enquanto humilha o motoboy.

“Você tem inveja disso aqui (do condomínio), você tem inveja dessas famílias, você tem inveja disso aqui (aponta para a pele). Você nunca vai ter” , afirma Couto, que em seguida chama o entregador de “semianalfabeto”.

Na delegacia, o caso foi registrado como injúria racial. Couto se defendeu, afirmando que usou as palavras “preto, favelado e marginal”, mas que não fez ofensa em “relação à cor da pele.” Em seu depoimento, Fernando Magalhães Couto, o pai do contabilista, afirmou que o filho sofre de esquizofrenia.

O Brasil de Fato ligou para Mateus Abreu de Almeida Prado Couto e seu pai, o empresário Fernando Magalhães Almeida Prado Couto, os dois não atenderam as chamadas e não retornaram.

Foto de Facebook de Mateus Abreu de Almeida Prado Couto. Foto: Reprodução

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