
O Exército brasileiro realizou repasses de cerca de R$ 39 milhões ao Banco Master entre agosto de 2024 e outubro de 2025. As transferências estão ligadas a operações de empréstimo consignado feitas por militares da ativa e da reserva junto à instituição então controlada por Daniel Vorcaro. Os dados constam em relatório de inteligência financeira do COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, encaminhado à CPI do Crime Organizado. Com informações da Folha.
O documento foi enviado ao Senado em março de 2026 e integra o conjunto de informações analisadas pela comissão, que encerrou os trabalhos no dia 14 sem aprovação de relatório final. Os valores correspondem a descontos aplicados diretamente nos contracheques dos militares para pagamento dos empréstimos contratados.
Segundo o COAF, os recursos eram creditados inicialmente em conta do Banco Master no Itaú e rapidamente transferidos para outras contas da própria instituição. Esse fluxo financeiro chamou atenção dos técnicos pela curta permanência dos valores na conta de origem.
O relatório aponta que o padrão de movimentação pode indicar risco de baixa rastreabilidade. Em um dos trechos, o documento destaca “o recebimento de créditos com o imediato débito dos valores”, o que dificultaria o acompanhamento do destino final do dinheiro.

Outro ponto observado é a concentração dos recursos em uma mesma titularidade. De acordo com o COAF, essa dinâmica “faz com que não seja possível identificar se eventualmente existem outros beneficiários de valores”, limitando a transparência das operações.
O Exército afirma que não houve prejuízo aos cofres públicos. Em nota, a instituição declarou que “os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas”, reforçando que atua apenas como intermediária dos descontos.
O Banco Master foi credenciado em 2023 após processo de edital público e teve o contrato prorrogado até 2027 por aditivos. A Aeronáutica também firmou acordo semelhante com a instituição para oferta de crédito consignado a militares e pensionistas.
Após a liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central em novembro de 2025, o Exército rescindiu o contrato de forma unilateral e encerrou as operações com a instituição financeira.