Enfermeiro assassinado pelo ICE é homenageado em hospital de veteranos nos EUA

Atualizado em 26 de janeiro de 2026 às 7:32
Alex Pretti homenageado em hospital nos EUA. Foto: reprodução

O assassinato do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, durante uma operação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) em Minneapolis, ampliou a pressão por transparência sobre a atuação de agentes federais e provocou homenagens emocionadas de colegas, familiares, autoridades locais e, em vídeo que viralizou nas redes sociais, companheiros de trabalho.

Pretti, cidadão estadunidense, foi morto com ao menos dez disparos em menos de cinco segundos, segundo análise de vídeos verificados pelo The New York Times, em um episódio que passou a ser investigado por diferentes órgãos.

Pretti trabalhava havia cerca de cinco anos como enfermeiro de UTI no Minneapolis VA Medical Center, hospital que atende veteranos de guerra. Colegas relataram que ele tinha forte compromisso com o cuidado aos pacientes e com pesquisas voltadas à prevenção de mortes por câncer de cólon entre veteranos.

“Alex era uma pessoa de coração bondoso, que se importava profundamente com a família, os amigos e também com os veteranos que atendia como enfermeiro de UTI no hospital de veteranos de Minneapolis. Alex queria fazer a diferença neste mundo”, afirmaram seus pais, Michael e Susan Pretti, em nota. “Infelizmente, ele não estará conosco para ver o impacto que causou”.

O chefe da seção de Doenças Infecciosas do hospital, Dimitri Drekonja, escreveu que Pretti era “uma pessoa boa e gentil que vivia para ajudar”. Segundo colegas, ele pesquisava formas de prevenir mortes por câncer de cólon entre veteranos internados. Vizinhos o descrevem como alguém “muito agradável, muito educado” e dizem que jamais o viram agir de forma agressiva.

Seu corpo foi coberto com a bandeira americana, e colegas mais próximos prestaram continência em sua homenagem durante o traslado pelo corredor do hospital.

O assassinato de Pretti

Alex Pretti foi morto no sábado (24) durante uma ação anti-imigração no sul de Minneapolis. O Departamento de Segurança Interna afirmou que agentes dispararam em legítima defesa após tentarem desarmá-lo.

“Os agentes tentaram desarmar o suspeito, mas o suspeito armado resistiu de forma violenta”, informou o órgão em nota. Segundo o governo de Donald Trump, uma arma foi recolhida no local e o agente responsável pelos disparos tem oito anos de carreira, mas sua identidade não foi divulgada.

A versão oficial, porém, é contestada pela família e por análises independentes. Os pais afirmam que Pretti tentava proteger uma mulher que estava próxima dos agentes no momento da abordagem. “As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pela administração são desprezíveis e revoltantes”, disseram.

A análise do New York Times indica que Pretti segurava um celular em uma das mãos e mantinha a outra vazia antes de ser derrubado, e que a arma atribuída a ele só teria sido localizada depois que já estava imobilizado no chão.

O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, confirmou que Pretti era cidadão estadunidense, possuía porte legal de arma e não tinha antecedentes criminais, além de infrações de trânsito e estacionamento. Autoridades locais relatam dificuldades para acessar provas do caso, enquanto o Departamento de Segurança Interna conduz uma investigação própria com apoio do FBI.

A morte ocorreu durante semanas de protestos contra operações do ICE na cidade, intensificadas depois que outra manifestante, Renee Good, foi morta no início do mês.

“Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito abalado com o que estava acontecendo em Minneapolis e em todo os Estados Unidos com o ICE”, disse Michael Pretti. O prefeito Jacob Frey acusou o governo federal de “aterrorizar Minneapolis”, enquanto o governador Tim Walz classificou o episódio como “repugnante” e pediu o fim das ações federais.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.