Enforcamento: Iraniano Erfan Soltani será executado nesta quarta; saiba quem é

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 9:54
O manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos. Foto: Reprodução

Erfan Soltani, manifestante iraniano de 26 anos, está condenado à execução por enforcamento marcada para esta quarta-feira (14). Ele foi preso na última quinta (8), em sua casa, na cidade de Karaj, por sua participação nos protestos contra o regime dos aiatolás.

A família só recebeu informações oficiais três dias depois, quando agentes de segurança confirmaram que ele estava sob custódia e já havia sido sentenciado à morte.

De acordo com o portal IranWire, Soltani atuava na indústria de vestuário e recentemente havia começado em uma nova empresa privada. Pessoas próximas o descrevem como alguém dedicado à moda, ao estilo e à rotina de musculação. Em suas redes sociais, aparece praticando esportes e levando uma vida simples.

O jovem vinha participando das manifestações que tomam as ruas do país há cerca de um mês, motivadas pela crise econômica e pela desvalorização intensa do rial.

Uma fonte disse ao IranWire que “Erfan havia recebido mensagens ameaçadoras de fontes de segurança antes de sua prisão, mas manteve-se firme nos protestos. Ele disse à família que estava sendo vigiado, mas se recusou a recuar”.

Prisão repentina e pressão sobre a família

Erfan foi detido perto de sua residência no distrito de Fardis. Após o silêncio inicial das autoridades, a confirmação da custódia veio acompanhada da notícia da sentença de morte.

Segundo uma fonte próxima da família, relatada sob anonimato ao IranWire, “a família está sob extrema pressão. Até mesmo um parente próximo, que é advogado, tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança. Disseram a ele: ‘Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada.’”

Condenação por “Moharebeh”

Soltani foi sentenciado por Moharebeh — expressão utilizada pelo regime para “ódio contra Deus”. Organizações de direitos humanos afirmam que o Irã executa centenas de pessoas sob essa acusação. De acordo com a entidade curdo-iraniana Hengaw, autoridades já informaram a família que a decisão é definitiva.

Fontes ouvidas pelo portal NDTV destacam que Erfan não teve direito à defesa antes de ser condenado. Seus familiares só puderam visitá-lo por cerca de dez minutos.

A repressão aos protestos no Irã já teria deixado aproximadamente 2.000 mortos, segundo um membro do governo. As manifestações seguem espalhadas pelo país em meio ao agravamento das dificuldades econômicas e à insatisfação popular.