Enquanto damos risada, o meio cultural é dominado por conservadores e malucos. Por Donato

 

A mais nova dupla de integrantes do governo biroliro não desaponta o eleitorado raiz.

Amalucados e com fortes indícios de transtorno mental grave, Rafael Nogueira e Dante Mantovani foram nomeados para os cargos de presidentes da Biblioteca Nacional e da Funarte, respectivamente.

A falta de currículo, como já se sabe desde que Bolsonaro foi eleito, não conta. Os dois novos membros do time são youtubers de pouca expressão.

Na entrega do prêmio Jabuti (um dos mais importantes da literatura) ocorrida a semana passada, absolutamente ninguém nunca tinha ouvido falar em Rafael Nogueira que, na verdade, chama-se Rafael Alves da Silva.

Isso, o cara tem nome artístico, veja só.

E não há como conhecer mesmo. Ele quase nunca fala de literatura em suas redes sociais. Mas Rafael comandará a Biblioteca Nacional e credita à Gabriel Pensador, Caetano e a Legião Urbana o alto índice de analfabetos funcionais do país.

Já Mantovani, que presidirá a Funarte, vai mais fundo. Classificado no nível Damares ou Weintraub de loucura, Mantovani acredita que a União Soviética infiltrou agentes na indústria fonográfica americana de modo a “inserir certos elementos” nas músicas que incentivariam os ouvintes ao aborto, ao comunismo e ao consumo de drogas. Para que? Para destruição moral

Fala sério, se algum familiar seu dissesse algo semelhante, você não cogitaria uma compulsória intervenção psiquiátrica?

Ambos estão subordinados ao não menos tapado Roberto Alvim, secretário da Cultura, que chamou Fernanda Montenegro de “sórdida” e que tem encabeçado a convocação de conservadores na “guerra cultural”.

Sob Alvim, tempos hoje um pastor (Edilásio Barra, o ‘Tutuca’) gerindo recursos na Ancine. Há também Camilo Calandrei (cristão, conservador, que considera a Lei Rouanet a serviço do ‘marxismo cultural) no Fomento e Incentivo à Cultura.

Tem atriz-figurante de quinta categoria, tem ‘reverenda’, tem os mais radicais seguidores de Olavo de Carvalho e tem ainda o indigerível Sérgio Nascimento Camargo (um racista assumido e beligerante) à frente da Fundação Palmares.

E essa turma não está para brincadeira.

Enquanto rolamos de rir com os absurdos regurgitados por esses debilóides, o desmonte da Cultura vai bem, obrigado.

O livro “Tateia”, da escritora Paula Chiodo, foi vetado num edital governamental por conter temática LGBT. “Promoção imatura de um ufanismo identitário”, foi a alegação para desclassificar a obra.

E até agora nada do filme de Wagner Moura sobre Marighella estrear.

Há um programa humorístico na TV cujo slogan atual é “Está difícil competir com a realidade”.

Mas enquanto achamos graça nas declarações de que Leonardo di Caprio está por trás das queimadas da Amazônia, que os Beatles foram criados para implantar o comunismo e que Caetano Veloso e Renato Russo são os responsáveis pelo analfabetismo, a doutrinação dos conservadores segue firme forte.

Destruir para depois dominar a Cultura é estratégia clássica de governos autoritários. Nazismo e fascismo fizeram isso.

Por aqui, durante a ditadura, enquanto Glauber Rocha era reverenciado somente fora do país, nosso cinema só produzia porcarias, aspecto favorável para os americanos.

Repleto de alucinados, terraplanistas e negacionistas da ciência, esse governo tem como método o diversionismo. O problema é quando memes se materializam em pessoas de carne, osso e nenhum miolo. A graça se perde.

 

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