Enquanto o povo chora, o Brasil prostíbulo comemora. Por Carlos Fernandes

Oscar Maroni comemora no Bahamas. Foto: Reprodução

A prisão do ex-presidente Lula demonstrou, por diversas formas e ângulos, de que matéria são feitos os dois espectros políticos que rondam o cenário de terra arrasada do Brasil atual.

As demonstrações de apoio e solidariedade ao maior líder popular da América Latina desde os primeiros minutos em que o juiz Sérgio Moro decretou seu encarceramento, mostraram ao mundo que Lula não está só e que sua importância para a reconstrução da democracia brasileira aumenta substancialmente a cada arbitrariedade cometida pelo judiciário desse país.

Ter sido carregado pelo verdadeiro povo brasileiro – esse formado pelos pobres, humildes e injustiçados do dia a dia – no momento de seu maior martírio, entrará, seguramente, para a galeria de honra das imagens mais bonitas e emocionantes já presenciadas na história da política nacional.

Pessoas comuns de todas as cores, idades, crenças, etnias e orientações sexuais choraram no momento em que o homem que mais ajudou os despossuídos do Brasil se entregava a seus carrascos.

Enquanto tudo isso acontecia, não muito distante dali realizava-se uma comemoração, cujas proporções deixaria o próprio Baco com inveja, exatamente pelo mesmo motivo.

Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados para a prostituição de luxo no país, distribuía no seu desavergonhado estabelecimento cervejas e mulheres (sua mercadoria, por assim dizer) gratuitamente para cidadãos de bem defensores da família, das tradições e dos bons costumes.

Tratava-se do pagamento de uma promessa feita pelo cafetão caso Lula fosse efetivamente preso.

No vídeo que viralizou nas redes sociais, o proxeneta da High Society brasileira parecia não se contentar apenas com a prisão do ex-presidente. Para Maroni, felicidade mesmo é se alguém o matasse na cadeia. De preferência com requintes de crueldade, claro!

Para que tudo espelhasse com fidedignidade o espírito da ocasião, montou-se um cenário à altura. No palco, vestido de presidiário, Maroni amordaçava com ar de superioridade e violência uma de suas “propriedades” seminuas.

A cena não poderia ser mais simbólica.

Como deboche pouco é bobagem. Para abrilhantar ainda mais a festa, não poderia faltar os cartazes na frente do puteiro em referência aos seus dois grandes homenageados: Sérgio Moro e Cármen Lúcia.

Sejamos justos. A coisa toda faz muito sentido.

É inquestionável que Oscar Maroni deve muito a Moro e Carminha o fato do seu tipo de comércio ter se transformado praticamente na mais confiável e justa representação do Brasil pós-golpe.

O que ambos fizeram para promover a maior crise institucional que se tem notícia no país desde a redemocratização, foi algo digno da mais suja e desqualificada prostituição moral e ética praticada nesse tipo de ambiente.

Tudo posto e escancarada as diferenças gritantes que separam um lado do outro, restaram cristalinas as duas ideias distintas de justiça, dignidade e soberania que ditam o debate político nesse triste e desesperançado território.

Tudo perfeitamente às claras e rigorosamente atendidos os sentimentos de tristeza e alegria que hoje povoam a republiqueta, uma única observação:

Do lado dos que se regozijaram com a injustiça e a truculência de um Estado sem lei, lugar melhor e mais apropriado para festejar seria os salões nobres do próprio STF.

Carminha iria adorar.