Entenda como a Polícia Federal acessou o celular bloqueado de Vorcaro

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 16:19
Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. Foto: Divulgação

O celular de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, emergiu como uma das principais fontes de evidências nas investigações sobre suspeitas de crimes financeiros envolvendo a instituição. Apesar de o empresário se recusar a fornecer a senha do aparelho, peritos da Polícia Federal (PF) conseguiram acessar com sucesso todo o conteúdo armazenado no dispositivo.

Essa conquista foi possível graças ao trabalho de equipes especializadas em informática forense, que utilizam tecnologias avançadas para superar bloqueios de segurança, como criptografia e senhas.

O acesso ao conteúdo foi realizado por meio de ferramentas forenses de alta complexidade, como o Cellebrite, desenvolvido em Israel, e o GreyKey, criado nos Estados Unidos. Esses programas exploram vulnerabilidades nos sistemas operacionais dos aparelhos e permitem que os investigadores obtenham informações mesmo quando o telefone está desligado ou protegido.

Caso o dispositivo não responda aos métodos tradicionais de extração, os peritos podem recorrer a procedimentos físicos, como a técnica “chip off”, que envolve a remoção do chip de memória para a leitura dos dados fora do aparelho.

Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. Foto: Divulgação

No caso de Vorcaro, a perícia foi conduzida no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, em um ambiente de acesso controlado, onde os dados extraídos foram organizados e catalogados. Durante a análise das mensagens, a PF encontrou diálogos em que o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, era mencionado em conversas entre ele e seu cunhado.

As mensagens faziam referência a pagamentos relacionados ao resort Tayayá, no qual familiares de Toffoli tiveram participação. Apesar de as menções gerarem uma reação política, a PF não solicitou a suspeição de Toffoli, mas elaborou um relatório técnico sobre o ocorrido.

A tensão política gerada pela descoberta das mensagens levou a um movimento institucional no Supremo Tribunal Federal. Após discussões entre os ministros, a Corte decidiu não afastar Toffoli do caso, validando os atos já praticados por ele no processo.

Em vez disso, a relatoria do inquérito envolvendo o Banco Master foi redistribuída para o ministro André Mendonça, que assumiu a responsabilidade pelo caso. Mendonça já iniciou tratativas com a Polícia Federal para examinar o conteúdo da perícia e dar continuidade à investigação, mantendo a imparcialidade do processo.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.