
As investigações sobre o Banco Master revelaram um esquema complexo de desvio de recursos que envolvia Daniel Vorcaro e sua família. O ex-banqueiro, que teve o banco liquidado pelo Banco Central, teria utilizado uma engenharia financeira sofisticada para transferir grandes somas de dinheiro do banco para o próprio bolso, além de beneficiar parentes e sócios. As informações são da Folha de S. Paulo.
A operação da Polícia Federal, conduzida com base em documentos sigilosos, apontou que a fraude se estendeu por um sistema envolvendo CDBs (Certificados de Depósito Bancário), fundos de investimento e empréstimos falsos a empresas controladas por laranjas.
Entre os principais destinatários dos recursos desviados estavam Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, que possuía uma conta bancária com mais de R$ 2,2 bilhões, e outros familiares, como sua irmã Natalia e seu primo Felipe. A investigação também revelou que empresas ligadas a João Carlos Mansur, proprietário da administradora de recursos Reag, foram usadas para movimentar os recursos desviados. Essas transações envolviam empréstimos fictícios que, na prática, não serviam para expansão de negócios, mas para transferir dinheiro do banco para o círculo íntimo de Vorcaro.
O esquema começava com a venda de CDBs com altas taxas de remuneração, atraindo recursos de investidores pessoas físicas. Esses fundos eram, então, direcionados a fundos de crédito do Banco Master, que tinham como único cotista o próprio banco. O dinheiro, porém, não era usado para negócios legítimos, mas para empréstimos a empresas ligadas a Vorcaro e sua família. Em um exemplo, a Clínica Mais Médico recebeu cerca de R$ 361,1 milhões de um desses fundos controlados pelo banco.
➡️ BANCO MASTER | Viagens de Vorcaro tiveram noivado em palácio e hotel de White Lotus pic.twitter.com/PFyzt06Mqm
— Metrópoles (@Metropoles) March 6, 2026
Além disso, os fundos de investimento usados para o desvio também aplicavam seu próprio dinheiro em CDBs do Master, criando uma circulação de recursos que acabava retornando quase integralmente para o banco, mas com o desvio já realizado. O processo envolvia uma rede complexa de transações, onde parte do dinheiro era desviada em cada etapa, até chegar a contas bancárias controladas por empresas ligadas a Vorcaro.
A investigação também revelou um processo de inflar os ativos do Banco Master, utilizando fundos de investimento que compravam ativos sem liquidez, como ações do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), e inflavam seus preços de forma artificial. Essa prática permitia que o banco emitissem mais CDBs e captassem ainda mais dinheiro de investidores, gerando um ciclo de fraude financeira.
Os crimes identificados nas investigações, como gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, podem resultar em penas de reclusão de até 12 anos, além de multas.