Entenda como um app fitness expôs a localização de porta-aviões francês em alto-mar

Atualizado em 21 de março de 2026 às 10:52
Porta-aviões francês. Foto: reprodução

Um vazamento de dados causado por um aplicativo de exercícios físicos expôs a localização de um dos principais ativos militares da França em meio ao cenário de guerra no Oriente Médio. Segundo revelou o jornal “Le Monde”, um marinheiro francês acabou divulgando, sem perceber, a posição quase exata do porta-aviões Charles de Gaulle ao utilizar o Strava durante uma atividade física a bordo.

O episódio ocorreu no dia 13 de março, às 10h35, quando o militar correu pouco mais de 7 quilômetros em cerca de 35 minutos enquanto usava um relógio conectado ao aplicativo. Ao registrar e compartilhar o percurso, o sistema acabou marcando a posição do navio no mar Mediterrâneo, a noroeste de Chipre e a aproximadamente 100 quilômetros da costa da Turquia.

Embora a presença do grupo aeronaval francês na região já tivesse sido anunciada previamente pelo presidente Emmanuel Macron, a divulgação da localização exata da embarcação é considerada uma falha grave de segurança. O envio da força ocorreu no início de março, poucos dias após o agravamento do conflito, com o objetivo de reforçar a presença estratégica da França na região.

A análise dos dados disponíveis no perfil do militar permite, inclusive, reconstruir parte da movimentação do porta-aviões e de sua escolta nas últimas semanas.

Movimentações do marinheiro no porta-aviões. Foto: reprodução

Registros anteriores indicam que o grupo esteve próximo à costa francesa em fevereiro e, posteriormente, fez escala em Copenhague. Já no dia da corrida, os dados apontavam sua presença nas proximidades de Chipre, informação confirmada por imagens de satélite.

O trajeto registrado pelo dispositivo mostra voltas em alto-mar, o que sugere que o exercício foi realizado a bordo de uma embarcação em movimento. O percurso aparece a cerca de 6 quilômetros do ponto em que o porta-aviões foi identificado em imagens captadas pouco mais de uma hora depois, diferença que pode ser explicada pelo deslocamento do navio ou pela possibilidade de o militar estar em uma embarcação de escolta.

O caso ocorre em um momento de tensão crescente na região. A França já registrou sua primeira baixa confirmada no conflito, após a morte do suboficial Arnaud Frion, vítima de um ataque de grupos pró-Irã em Erbil, no Iraque. Além disso, bases francesas também foram atingidas por mísseis iranianos nas últimas semanas.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.