
A missão Artemis II, lançada na última quinta (1º), marca um avanço para a exploração espacial, com quatro astronautas a caminho da Lua. Um dos momentos mais aguardados é o voo rasante pela “costas” da Lua, o lado que nunca é visto da Terra. Isso ocorre devido a um fenômeno chamado rotação sincronizada, onde o satélite natural gira ao redor de si mesmo e da Terra no mesmo tempo, o que faz com que sempre a mesma face esteja voltada para o planeta.
A rotação sincronizada é resultado de bilhões de anos de interação gravitacional. Originalmente, a Lua girava mais rápido, mas a força gravitacional da Terra causou uma “frenagem” gradual. Isso resultou na sincronização dos dois movimentos, de rotação e translação, fazendo com que o satélite natural fique “travado”.
A expressão “lado escuro da Lua”, popularizada por álbuns como o de Pink Floyd, é imprecisa. O lado “oculto” da Lua, que nunca é visível da Terra, recebe a mesma quantidade de luz solar que a face visível. A diferença entre “lado oculto” e “lado escuro” é que o primeiro se refere à localização geográfica, enquanto o segundo está relacionado ao ciclo de iluminação.
O lado oculto da Lua tem características geológicas distintas. Ele é mais acidentado e repleto de crateras, com uma crosta mais espessa do que a face visível.

Essa diferença pode ser explicada pelo aquecimento e resfriamento desiguais que ocorreram no início do Sistema Solar, causando variações na cristalização das superfícies da Lua. A face visível, por outro lado, apresenta uma superfície mais lisa, formada pela lava basáltica que preencheu as crateras.
A missão Artemis II, ao levar astronautas mais perto do lado oculto da Lua, permitirá a documentação de detalhes geológicos diretamente, algo que os satélites ainda não conseguiram fazer com precisão. Eles serão os primeiros humanos a ver o lado oculto com seus próprios olhos desde a missão Apollo 17, em 1972.
Outro desafio técnico enfrentado na Artemis II é a perda temporária de comunicação com a Terra. Como a Lua bloqueia as ondas de rádio, os astronautas ficarão sem contato direto com a Nasa por alguns minutos enquanto passam atrás do satélite, devido à sua “massa” opaca.