Entenda o “principio da reciprocidade” usada pela PF contra os EUA no caso Ramagem

Atualizado em 23 de abril de 2026 às 9:38
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22) que decidiu retirar as credenciais de trabalho de um servidor dos Estados Unidos com base no princípio da reciprocidade, após o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho receber uma ordem para deixar o país. A medida amplia a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos e foi apresentada como uma resposta proporcional ao tratamento dado ao representante da PF em território estadunidense.

Durante entrevista à GloboNews, Andrei negou que Marcelo Ivo tenha sido expulso e explicou o motivo da reação adotada pela corporação. “Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, disse.

O fundamento citado pelo diretor da PF é uma prática comum nas relações internacionais e estabelece que um país tende a responder a outro da mesma forma como é tratado.

Na prática, o princípio da reciprocidade funciona como um mecanismo de equivalência entre Estados, podendo ser aplicado em diferentes áreas, como vistos, credenciais, prazos de permanência e restrições de entrada.

A professora Ana Carolina Marson, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, resumiu o conceito da seguinte forma: “O princípio funciona no sentido de você poder devolver o que lhe foi aplicado. Ele pode ser usado em uma série de campos das relações internacionais”.

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Foto: reprodução

Essa não é a primeira vez que o governo brasileiro adota esse tipo de medida em um episódio recente envolvendo os Estados Unidos. Em março de 2026, o Itamaraty revogou o visto de Darren Beattie, assessor do presidente Donald Trump, também sob o argumento da reciprocidade.

Na ocasião, Beattie pretendia vir ao Brasil e visitar Jair Bolsonaro na Papudinha, mas o governo alegou que ele teria omitido o verdadeiro motivo da viagem e planejado encontros de natureza política.

Antes da decisão oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia indicado o tom da resposta brasileira ao afirmar que Beattie só pisaria no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pudesse entrar nos Estados Unidos. Em 2025, os Estados Unidos cancelaram os vistos da mulher e da filha de Padilha, enquanto o do ministro já estava vencido.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.