Entenda o que causou o tiroteio na sede do governo venezuelano

Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 7:20
Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano. Foto: reprodução

Os disparos registrados próximo ao Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano em Caracas, foram resultado de uma falha de comunicação entre órgãos de segurança na última segunda-feira (5). Os seguranças locais se assustaram com a circulação de drones na área sem aviso prévio às forças responsáveis pela proteção do local. A ausência de coordenação levou os agentes a interpretarem os equipamentos como ameaça, desencadeando tiros e explosões que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

Fontes em Caracas confirmaram que pelo menos duas pessoas ficaram feridas. De acordo com relatos obtidos pelo jornal O Globo, o Corpo de Investigações Científicas, Criminais e Forenses (CICPC) lançou diversos drones na região central da capital sem informar o Palácio de Miraflores.

Em um contexto de alerta máximo, pouco mais de dois dias após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, a falta de comunicação foi suficiente para provocar uma reação armada imediata das equipes de segurança do Executivo.

Testemunhas ouvidas pela AFP relataram momentos de confusão e medo. “Parecia que estavam ocorrendo explosões, e elas aconteciam com muita frequência”, disse um morador que vive a cinco quarteirões de Miraflores.

“A primeira coisa que me veio à mente foi verificar se havia aviões sobrevoando, mas não havia. Só vi duas luzes vermelhas no céu. Durou cerca de um minuto”. Segundo essas fontes, os disparos cessaram após alguns minutos, quando ficou claro que se tratava de uma operação interna sem caráter ofensivo.

Vídeos obtidos pela AFP mostram o palácio presidencial às escuras e o que parecem ser balas traçantes cruzando o céu. Rajadas de tiros seguidas de explosões podem ser ouvidas nas gravações, enquanto agentes policiais circulam nas proximidades do complexo.

Apesar da repercussão, o Ministério das Comunicações da Venezuela não respondeu aos telefonemas da agência internacional para confirmar oficialmente o incidente nem explicar por que a operação com drones foi realizada sem aviso às demais forças de segurança.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.