Entregue aos bancos, Estadão recebeu R$ 1,12 milhão do Banco Master para publicidade institucional

Atualizado em 23 de abril de 2026 às 21:28
Fachada do diário do Limão Imagem: reprodução

O Estadão recebeu R$ 1,12 milhão diretamente do Banco Master, conforme o Metrópoles. O jornal confirmou, em entrevista ao portal, que os valores foram cobrados de Daniel Vorcaro em troca da divulgação de publicidade institucional do banco, incluindo campanhas de captação de clientes e de abertura de contas.

A quantia também incluiu o patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1, compra de mídia digital e a publicação de informe publicitário. O total, no entanto, não abrange outros projetos, como eventos patrocinados pelo banco.

De acordo com o contrato, os valores foram divididos da seguinte maneira: R$ 200 mil para compra de mídia institucional, R$ 25.894 para a campanha de abertura de contas, R$ 302.074 para o patrocínio da cobertura do GP Brasil de Fórmula 1, R$ 312.032 em mídia digital e R$ 280 mil em informe publicitário. Os contratos foram firmados entre 2021 e 2025, sendo que Vorcaro foi preso em 2025, acusado de fraudar o sistema financeiro.

Em nota, a assessoria de imprensa do diário paulistano esclareceu que os valores são brutos, antes das comissões de agência, e correspondem ao que foi negociado efetivamente, não aos preços de tabela.

O Estadão também destacou que não negocia a venda de mídia e patrocínios por valores incompatíveis com as práticas de mercado.

A comercialização de publicidade não é o único vínculo entre o Estadão e o grupo de Vorcaro. O jornal contratou a gestora de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro, para estruturar uma operação de captação de recursos que envolveu grandes instituições financeiras e empresas privadas. Como resultado, Itaú, Santander e Bradesco aportaram R$ 45 milhões no Estadão. Outros investimentos adicionais, que somam R$ 142,5 milhões a partir de 2024, também foram feitos.

O acordo não se limitou a um simples empréstimo.

Os investidores adquiriram três das seis cadeiras no conselho de administração do jornal, além de poder de veto em decisões estratégicas, incluindo sobre o conteúdo publicado, uma vez que o Estadão não possui um conselho editorial.

Em nota, o Itaú afirmou que sua participação na emissão de debêntures do Grupo Estado, em 2024, faz parte de uma operação de reestruturação de dívida preexistente, realizada junto com outros grandes bancos.

A operação, segundo o Itaú, visa a reorganização financeira da companhia, com valor de R$ 15 milhões, sendo uma operação estritamente de crédito de mercado. A nota destaca que, por sua natureza jurídica, a debênture bancária não confere ao Itaú qualquer poder administrativo ou influência sobre a linha editorial do veículo.

Como o Estadão não tem um conselho editorial, decisões, inclusive sobre o conteúdo publicado, ficam sob responsabilidade do conselho de administração.

Membros do conselho de administração do Estadão:

Pelo jornal:

  • Francisco de Mesquita Neto
  • Roberto Crissiuma Mesquita
  • Manoel Lemos

Pelos investidores:

  • Marcelo Pereira Malta de Araújo – ex-executivo do grupo Ultra
  • Marco Bologna – sócio da Galápagos
  • Tito Enrique da Silva Neto – ex-presidente do Banco ABC
Jose Cassio
JC é jornalista com formação política pela Escola de Governo de São Paulo