Eric Clapton não só é antivacina, como gravou música contra o lockdown e pediu fim da imigração de negros

Eric Clapton. Foto: Richard Isaac/Shutterstock

Eric Clapton continua sendo deus da guitarra, como se lia nos grafites da Londres dos anos 60, mas é também um idiota negacionista e um risco para a saúde pública.

Passou a maior parte da pandemia tentando minar os conselhos de especialistas em entrevistas.

Fez uma música com o genial Van Morrison, igualmente uma cavalgadura, contra o isolamento social. Sorte que ninguém ouviu.

Agora afirma que sua reação adversa temporária à vacina é um sinal de que elas são perigosas. Podem causar infertilidade, mente.

Estudos científicos, opinião de organizações médicas são, em suas palavras, “propaganda”.

Não é a primeira vez que ele faz questão de ser estúpido publicamente e mostrar um lado b sombrio.

Em 1976, num show em Birmingham, pediu que o público apoiasse Enoch Powell, um político conservador anti-imigrante, e acrescentou que achava que os negros – aos quais se referiu em termos racistas – deveriam deixar o país.

Ensaiou aqui e ali um mea culpa, mas nada sério.

Em 2004, chamou Powell de “escandalosamente corajoso” e novamente lamentou a presença de imigrantes no Reino Unido.

Quando finalmente pediu perdão em 2018, se declarou “enojado” com seus comentários e pôs na conta do alcoolismo.

“Eu sabotei tudo em que estava envolvido”, falou.

Definiu-se como “semirracista”, seja lá o que isso signifique, e falou que tinha amigos negros — um clássico — e “defendia a música negra”.

Confessou também que abusou da mulher.

“Houve momentos em que eu simplesmente fiz sexo com minha esposa à força e pensei que era meu direito”, disse.

Clapton está sendo criticado pela burrice. Não há “cancelamento”.

Está sendo instado a responder pelas barbaridades propagadas de uma posição de gigante da música pop, com influência sobre fãs.

Entrevistadores que ouvem essa groselha — geralmente guitarristas frustrados que o idolatram — e não se posicionam são igualmente responsáveis.

Sua genialidade não lhe dá salvo conduto para espalhar fake news que matam. Essa imbecilidade num momento desses é mortal.

Como dizia o velho Frank Zappa: “Shut up and play yer guitar”. Motherfucker.