Transfobia e misoginia: as candidatas que mais sofreram ataques nas redes nas eleições

Atualizado em 26 de outubro de 2026 às 8:22
Erika Hilton, deputada federal reeleita em São Paulo. Foto: Gabriel Reis/Agência O Globo

A deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) liderou o ranking de ataques nas redes sociais no fim de semana do primeiro turno das eleições de 2026, com 73 ocorrências, aponta o observatório de violência política de gênero MonitorA. A transfobia respondeu por 82,19% das agressões identificadas contra a parlamentar. Com informações da Mônica Bergamo, na Folha.

O levantamento analisou 2.202 comentários publicados em 143 perfis de candidatas no X, YouTube e TikTok entre 1º e 4 de outubro. Marina Silva (Rede) teve 63 ataques, seguida pela ex-ministra Simone Tebet (PSB), com 55, e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), com 25.

Quando o estudo reúne ataques e insultos, Simone Tebet passa a liderar a lista, com 221 ocorrências. Erika Hilton aparece em seguida, com 110, à frente de Soraya Thronicke, com 105, e Marina Silva, com 103.

As quatro candidatas concentraram 79,26% dos 680 comentários negativos encontrados pela pesquisa. O MonitorA é realizado pelo InternetLab, Instituto Democracia em Xeque e Núcleo Jornalismo.

Transfobia, etarismo e misoginia marcaram ofensas contra candidatas

O observatório classifica como ataque o conteúdo ofensivo que tenta inferiorizar candidatas por marcadores como gênero, raça, orientação sexual, deficiência, religião ou identidade de gênero. Insultos usam linguagem hostil mais dura que uma crítica, sem mobilizar diretamente essas desigualdades.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Foto: Daniel Ramalho/AFP

Marina Silva recebeu principalmente ataques etaristas, que somaram 23 casos e corresponderam a 36,51% do total dirigido a ela. A desumanização veio na sequência, com 25,40% das ocorrências.

A misoginia foi a forma mais frequente de violência contra Simone Tebet, com 30 ataques, ou 55% dos casos. Contra Soraya Thronicke, esse tipo de agressão apareceu em dez registros, equivalentes a 40% do total.

O X concentrou 557 das ofensas registradas, sendo 226 ataques e 331 insultos. O YouTube teve 115 ocorrências, das quais 31 foram classificadas como ataques, enquanto o TikTok registrou seis comentários ofensivos, todos enquadrados como insultos.

Após o primeiro turno, o observatório também identificou aumento expressivo de comentários contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) e a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP). O pico ocorreu na segunda-feira (05) e se estendeu até 7 de outubro; uma análise detalhada dos ataques contra as duas será feita posteriormente.

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