Erika Hilton critica PSOL e confirma conversas com o PT sobre troca de partido

Atualizado em 29 de outubro de 2026 às 21:09
Erika Hilton
A deputada federal, Erika Hilton (PSOL-SP). Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou, em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (29), que considera mudar de partido e mantém conversas com outras legendas, sobretudo o PT. Ela criticou a direção do PSOL, mas ressaltou que ainda não decidiu deixar a sigla.

“Eu tenho críticas que são públicas ao PSOL com relação ao fundo partidário, o descumprimento de acordos que haviam sido firmados”, afirmou. A deputada disse que não recebeu o tratamento que esperava nas negociações e que tem sido procurada por diferentes partidos.

“Há uma grande possibilidade, sim, de que eu mude de partido, mas até o momento não é nada concreto”, declarou. Antes de decidir, ela pretende conversar com o PSOL. Caso deixe a legenda, afirmou que deseja sair mantendo uma porta aberta.

A parlamentar relatou ter retomado as conversas sobre o próximo ciclo no Congresso depois do segundo turno. Na entrevista, também defendeu a mobilização popular para pressionar o Parlamento e sustentar pautas que considera essenciais, independentemente do governo.

A declaração ocorre um dia depois da Folha de S.Paulo, publicar relatos de correligionários segundo os quais Erika migraria para o PT em janeiro de 2027, antes da posse da nova legislatura, em fevereiro. Os interlocutores da coluna mencionaram um entendimento para a saída, mas a deputada não confirmou essa definição na entrevista desta quinta.

O desentendimento sobre recursos de campanha já havia se tornado público em junho. Na ocasião, o PSOL anunciou a previsão de destinar R$ 2,3 milhões à reeleição de Erika, acima dos R$ 2,2 milhões reservados a outros deputados. A direção sustentava que a proposta já lhe dava tratamento diferenciado; a parlamentar cobrava o cumprimento de acordos e estrutura para sua campanha em São Paulo.

Outra divergência foi a decisão do PSOL de não formar uma federação com o PT. Erika e a corrente Revolução Solidária, da qual também participa Guilherme Boulos, defendiam a aproximação. Segundo o Painel, a Primavera Socialista, que comanda o partido, se opôs por avaliar que a união reduziria o espaço para candidaturas próprias ao Legislativo.

Ao responder às críticas em 14 de outubro, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, disse a Folha, que a direção estava aberta ao diálogo com Erika. Ela destacou a votação histórica da deputada e sua atuação pelo fim da escala 6×1, sem rebater a crítica à decisão sobre a federação com o PT.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!