Erika Hilton pede apuração sobre Discord após caso Orelha

Atualizado em 1 de fevereiro de 2026 às 18:22
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara

A deputada federal Erika Hilton (PSol) protocolou neste domingo (1), no Ministério da Justiça e na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, um pedido para a abertura de procedimentos que apurem a atuação da plataforma Discord no Brasil. A solicitação foi feita após a morte do cão comunitário Orelha, torturado por quatro adolescentes em Florianópolis (SC).

No documento, a parlamentar liga o caso a outros episódios de violência associados ao uso da plataforma. O texto reúne investigações policiais, reportagens jornalísticas e manifestações de autoridades judiciais que indicariam o uso recorrente do Discord para organizar, praticar e até transmitir ao vivo atos violentos. “Esses episódios demonstram que a difusão e celebração da violência em ambientes digitais como o Discord não constitui fato pontual ou excepcional, mas integra um padrão reiterado de condutas graves”, afirma a deputada.

Além de violência contra animais, o pedido cita redes voltadas ao aliciamento e à exploração sexual de crianças e adolescentes, com incentivo à automutilação, e ataques contra pessoas em situação de rua em diferentes estados.

O cão Orelha. Foto: Reprodução

Na fundamentação jurídica, Erika Hilton menciona dispositivos da Constituição Federal, da Lei de Crimes Ambientais, do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Política Nacional para a População em Situação de Rua. Segundo a deputada, a vedação à crueldade contra animais, a proteção integral de crianças e adolescentes e a dignidade da pessoa humana sustentam a atuação do Estado diante de plataformas digitais de grande alcance.

Ao final, a parlamentar pede a instauração de procedimentos administrativos, a apuração de eventuais responsabilidades institucionais do Discord, a articulação entre órgãos públicos e a adoção de medidas para enfrentar a violência extrema no ambiente digital, com atenção especial à proteção de crianças e adolescentes.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.