
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão, por 30 dias, do “Programa do Ratinho”, exibido diariamente pelo SBT. O pedido foi apresentado após declarações feitas pelo apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, durante a edição exibida na quarta-feira (12). Com informações do F5.
O Ministério das Comunicações informou que recebeu a representação administrativa encaminhada pela parlamentar. Em nota, a pasta afirmou que o documento será analisado pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad). Segundo o órgão, a avaliação seguirá os trâmites administrativos e legais previstos na legislação.
Procurado, Ratinho declarou, por meio de sua assessoria, que não comenta processos judiciais. O SBT informou que as falas do apresentador não representam a posição institucional da emissora e que o caso está sendo analisado internamente.
Durante o programa, Ratinho comentou a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Na ocasião, afirmou que a parlamentar não deveria ocupar o cargo por ser uma mulher trans. “Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”, disse.
DESSERVIÇO! Ratinho dispara contra Érika Hilton ao vivo, e diz que a Deputada NÃO É MULHER.
“Mulher pra ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar” #ProgramaDoRatinho pic.twitter.com/JGb9gTxVw1
— Brenno (@brenno__moura) March 12, 2026
O apresentador acrescentou outras declarações sobre o tema e também citou a cantora e drag queen Pabllo Vittar ao comentar discussões sobre identidade de gênero. Ele ainda afirmou que respeita pessoas com “comportamento diferente”, mas reiterou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma mulher que não fosse trans.
No ofício encaminhado ao ministério, Erika Hilton afirma que o programa utilizou um veículo de radiodifusão para disseminar discursos contra a comunidade LGBTQIA+. O documento também menciona que o SBT já teve um programa suspenso anteriormente. Em setembro de 2003, o “Domingo Legal”, então apresentado por Gugu Liberato (1959-2019), ficou uma semana fora do ar após exibir entrevista forjada com integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).