Escândalo sexual no Conselho de Medicina: DCM teve acesso às mensagens que revelam chantagem e assédio

Atualizado em 11 de outubro de 2020 às 16:35
Osvaldo Simonelli

O DCM teve acesso às mensagens que embasaram a demissão do superintende jurídico do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cresmesp) por chantagem e assédio sexual.

“Tira… Isso não vai acontecer logo… eu sei esperar… a hora certa… e a dúvida eterna… a cada paciente bonitona que bonitona que estar no Consultório hein… será que é essa??? Que vai gritar, rasgar a copa e ira pra delegacia??”, disse Osvaldo Pires Garcia Simonelli, supostamente em referência a um plano que tinha de plantar uma denúncia contra os pais médicos de uma colega advogada.

Na mesma mensagem, ele sugere ter vídeo íntimo da advogada, com quem teve um caso. “Mas o seu vídeo no nipo hein??? Quer me comer??? Ah, Dra. Geni não merecia isso…”, escreveu.

O agora ex-superintendente jurídico também ameaçou a advogada com uma suposta ação policial contra outro parente dela.

“E o seu irmão??? Hum quem sabe já na volta dele? No aeroporto!?? Tráfico internacional!!! Inafiançável”, afirmou.

O irmão da vítima seria usuário de maconha, e ele estaria aproveitando o fato para plantar uma operação policial por tráfico.

“E seu irmão, manconheiro né?? Ahh conheço tanto PM naquele bairro… meu avô era capitão, lembra??? Ah…. Uma noite em cana hein… que delícia… Pense e reflita.

Em outra mensagem, ele voltou a falar em vídeos que teria da advogada.”

“Tenho dois vídeos muito bons aqui pra mandar pra todo mundo!!!! Viralizar!! Pensei que tudo havia mudado. Vai ser delícia”, disse.

Osvaldo respondeu a uma investigação interna do Cremesp e, em razão disso, foi exonerado. Mas ainda há outras ações movidas pelo Conselho.

Além do Judiciário, o Conselho representou o ex-funcionário, que entrou no Cremesp por concurso, no Conselho de Ética da OAB.

Além do comportamento antiético em relação a uma colega de profissão, ele também teria agido com deslealdade em ações judiciais de interesse do Conselho, prejudicando diretores em relação a outros médicos por conta de disputa eleitoral.

Neste domingo, o Cresmesp divulgou nota:

“O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) confirma as notícias veiculadas na mídia sobre a demissão do advogado Osvaldo Pires Garcia Simonelli, que ocupou o cargo de superintendente jurídico do Conselho entre 2016 a 2018.

Ao assumir a gestão do Conselho, o corpo de conselheiros que tomou posse em outubro de 2018 foi informado de graves denúncias contra Simonelli, que incluíam chantagens contra outra advogada da Casa.

A gestão, composta por 16 mulheres, o maior número de conselheiras da história do Cremesp, repudia qualquer tipo de violência contra a mulher e, assim, instaurou processo administrativo contra o funcionário tão logo soube das denúncias. Outros indícios de irregularidades administrativas atribuídos ao mesmo funcionário foram encaminhados para a apuração das autoridades policiais.

Também é verdade que o Conselho denunciou Simonelli na Ordem dos Advogados do Brasil, por prática de patrocínio infiel. A prática, que ocorre quando um advogado atua para duas partes opostas em uma mesma disputa, ocorreu, segundo a denúncia, quando Simonelli se manifestou em atos de processo, na figura de advogado do Cremesp, contra o próprio Conselho, na tentativa de obstruir as investigações que estavam em curso contra ele.

Todas as alegações, tais como as ameaças de Simonelli contra sua colega advogada, encontram-se disponíveis, em ata notarial.

Diante das gravíssimas irregularidades, o Conselho informa que concluiu um dos processos que levaram à exoneração definitiva do funcionário, na última quarta (7), mas outros processos e investigações continuam em curso. As investigações também prosseguem na esfera policial.”

O DCM procurou o advogado, para que se manifestasse, por meio de seu perfil no Facebook.

Até agora, não retornou.

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