Escolher novamente o bisonho Aras está entre prerrogativas de Bolsonaro. Por Maringoni

Publicado originalmente no perfil do autor.

Jair Bolsonaro e Augusto Aras, reconduzido ao cargo. Foto: Agência Brasil
Um governante nunca deve criar problemas para si próprio, ao contrário. Nunca deve ceder às poderosas corporações que se formam dentro do Estado e que usualmente buscam se autonomizar do poder político. É o caso da indicação de titulares da procuradoria-geral da República, por exemplo.
A escolha a partir de uma lista tríplice definida pela corporação nada tem de democrático. Aliás, pode ser seu contrário. Os presidentes petistas caíram nessa armadilha e colocaram notórios quadros da direita na PGR, como os inesquecíveis Roberto Gurgel e Rodrigo Janot, udenistas e lavajatistas de carteirinha. Ambos deram contribuições inestimáveis para as classes dominantes.
Mais inteligente foi John Kennedy, que escolheu o irmão Robert para função equivalente nos EUA. Ou FHC, que chamou Geraldo Brindeiro para a tarefa.
Critiquemos Bolsonaro por seu fascismo negacionista, por sua sucessão de crimes e por seu golpismo renitente. Mas não por valer-se das prerrogativas inerentes ao cargo. Escolher novamente o bisonho Augusto Aras está entre essas prerrogativas.
Não caiamos novamente no caricato republicanismo tosco.

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