
O médico e executivo Claudio Lottenberg, anunciado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como nome para o Ministério da Saúde em caso de vitória eleitoral, já afirmou que não colocaria “nada mais” no Sistema Único de Saúde (SUS) antes de mudar a forma de alocar os recursos existentes.
Lottenberg deu a declaração em 2019, durante o debate “O Futuro do SUS: Desafios e Mudanças Necessárias”, promovido pela Fundação FHC. Na ocasião, ele reclamou da gestão orçamentária.
“Um pouco de receio de apanhar aqui: eu acho que a gente gasta bastante e gasta mal, tanto na esfera privada quanto na esfera pública. O mantra de que está faltando dinheiro é, na minha interpretação, um mantra equivocado”, disse.
O oftalmologista afirmou que não ampliaria os recursos do SUS sem antes esgotar ou aperfeiçoar os mecanismos de distribuição do orçamento disponível. “Eu não colocaria nada mais, a não ser que a gente esgotasse, ou pelo menos evoluísse, a forma de alocar os recursos de que já dispomos”, prosseguiu.
O médico Claudio Lottenberg, nome que Flávio Bolsonaro anunciou para ser seu ministro da Saúde, diz que não colocaria mais um real no SUS. É o tesouraço de Flávio que não vai permitir incorporar novos medicamentos, como o Ozempic, ou novos tratamentos contra o câncer, que Lula já… pic.twitter.com/9Zkb5BsqHz
— Marcelo Freixo (@MarceloFreixo) October 19, 2026
Defesa de planos privados e participação empresarial no SUS
No mesmo debate, Lottenberg alegou que a expansão do setor privado de saúde beneficiaria indiretamente o SUS. “Quanto mais o setor privado crescer, quanto mais houver emprego e seguro-saúde, melhor é para o Sistema Único de Saúde”, afirmou.
Na avaliação do médico, o aumento do emprego formal e do acesso a seguros de saúde particulares reduziria a pressão sobre a infraestrutura estatal. Ele defende a ampliação da participação privada na saúde pública por meio de parcerias público-privadas, Organizações Sociais de Saúde e contratação da rede privada.
Lottenberg presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein e ocupou a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo em 2005, na gestão de José Serra. Na administração municipal, participou da implantação das Organizações Sociais de Saúde na rede paulistana.