Escravidão: filipina é resgatada pela polícia em casa de cônsul honorária do Brasil

Atualizado em 20 de março de 2026 às 18:19
Siham Harati, cônsul honorária do Brasil no Líbano. foto: Reprodução

Uma mulher filipina foi resgatada pela polícia em São Paulo após denúncias de trabalho análogo à escravidão em uma casa de alto padrão no bairro do Morumbi. A vítima foi identificada como funcionária da cônsul honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, e estava sob condições precárias de trabalho desde 2014.

Ela relatou à Polícia Federal que não via sua família desde então e que seus documentos estavam retidos pela patroa. A trabalhadora, que dividia sua rotina entre o Brasil e o Líbano, contou que suas jornadas se estendiam de 6h30 às 19h30, sete dias por semana, sem direito a descanso ou férias.

A vítima também era constantemente vigiada e mantida trancada na residência, com ameaças de morte caso denunciasse a situação. O caso veio à tona após a funcionária pedir ajuda à Associação da Comunidade Filipina, que acionou o consulado das Filipinas e a Secretaria de Justiça de São Paulo.

Fachada do Ministério Público do Trabalho de São Paulo. Reprodução

A defesa de Siham Harati negou as acusações, afirmando que a funcionária sempre teve liberdade e que nenhum tipo de abuso ou retenção de documentos ocorreu.

A cônsul alegou o contrato de trabalho foi firmado no Líbano, com o salário da funcionária sendo enviado regularmente à sua família nas Filipinas. A cônsul afirmou que a mulher havia pedido para manter seus documentos guardados por segurança.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) iniciou uma investigação formal após a denúncia, classificando o caso como tráfico de pessoas para trabalho análogo à escravidão. O Itamaraty informou que, apesar de a cônsul honorária estar associada ao governo brasileiro, ela não tem imunidades diplomáticas, pois ocupa um cargo voluntário e sem vínculo oficial com o governo.

A Polícia Federal registrou o caso, mas até o momento não se manifestou publicamente sobre os desdobramentos da investigação. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que está acompanhando o caso, mas ressaltou que a cônsul honorária não faz parte do quadro diplomático regular, o que limita sua atuação em questões relacionadas ao governo brasileiro.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.