
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda (2) a criação de um escudo nuclear para a Europa após guerra no Oriente Médio iniciada após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. A nova medida visa aumentar o arsenal de ogivas atômicas do país e disponibilizá-las para seus vizinhos europeus em caso de necessidade.
A decisão foi tomada pelo governo francês após uma crescente percepção de que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deixou de dar apoio militar a aliados na Europa, especialmente em meio à guerra da Ucrânia. Macron afirmou que a medida foi acelerada pela administração de Donald Trump, que que adotou uma postura mais isolacionista em relação aos países.
Segundo o mandatário francês, os conflitos recentes têm risco de “ultrapassar limites nucleares”. Por isso, Macron quer criar um “guarda-chuva nuclear europeu”, que visa a unificação operacional do arsenal nuclear francês com o do Reino Unido.
Embora ambos os países mantenham controle independente sobre suas armas, essa cooperação permitirá uma resposta mais coordenada em tempos de crise. A França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 225, são os únicos países da Otan com armas nucleares, enquanto os EUA possuem cerca de 100 bombas táticas limitadas ao uso em campo de batalha.

Macron também indicou que os ativos estratégicos da França poderiam ser posicionados em seus países vizinhos, como Alemanha, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Polônia. Essa ideia foi bem recebida por esses países, mas levantou preocupações sobre a viabilidade prática da implementação dessa estratégia, dado que a maior parte do arsenal francês está baseado em mísseis lançados por submarinos nucleares, que são difíceis de compartilhar com outros aliados.
A proposta de Macron de fortalecer a defesa nuclear europeia surge em um contexto global no qual acordos de controle de armas nucleares, como o tratado entre EUA e Rússia, estão se desfazendo. Em fevereiro, Trump deixou caducar o último acordo com Vladimir Putin para o controle das ogivas estratégicas.
A França e o Reino Unido foram chamados a participar de um novo acordo nuclear, uma iniciativa que pode abrir portas para uma escalada ainda maior das tensões nucleares no cenário internacional.
O próprio Macron reconhece que, apesar da grande vantagem da Rússia em termos de armamento nuclear, a Europa deve encontrar maneiras de garantir sua segurança sem depender exclusivamente dos EUA.