Especialistas explicam quem deve evitar canetas para emagrecer

Atualizado em 23 de março de 2026 às 13:57
Mulher aplica caneta emagrecedora. Foto: Reprodução

Com a expansão do uso de medicamentos à base de semaglutida, conhecidos como canetas emagrecedoras, especialistas discutem quem realmente deve utilizar esse tipo de tratamento. O uso é indicado principalmente para obesidade, mas ainda gera dúvidas quando se trata de pessoas com sobrepeso ou que buscam apenas emagrecimento estético.

Segundo médicos, a obesidade é definida pelo Índice de Massa Corporal acima de 30, enquanto o sobrepeso corresponde ao IMC (Índice de Massa Corporal) entre 25 e 29,9. No Brasil, mais de 60% da população está acima do peso, e cerca de um quarto dos adultos é considerado obeso, o que amplia a demanda por tratamento medicamentoso.

Endocrinologistas ouvidos pelo jornal O Globo afirmam que as canetas são hoje o método mais eficaz para tratar obesidade, com bons resultados e segurança quando usadas com acompanhamento médico. A recomendação inclui pessoas com obesidade ou com IMC acima de 27 associado a doenças como diabetes, apneia, problemas cardiovasculares, dores articulares ou distúrbios metabólicos.

O endocrinologista Roberto Zagury afirma que o tratamento pode beneficiar quem tem mais de uma condição associada ao excesso de peso. “Essas são as pessoas que serão mais beneficiadas porque tratarão a obesidade e uma outra doença. É como acertar dois alvos de uma vez”, explicou.

Homem se pesa em balança. Foto: Reprodução

Especialistas ressaltam que o IMC não é o único critério, pois a distribuição de gordura também influencia o risco. O acúmulo abdominal, medido pela circunferência da cintura, pode indicar maior probabilidade de doenças mesmo em pessoas com peso normal.

Por outro lado, médicos alertam que pessoas magras ou sem comorbidades não devem usar esses medicamentos. O endocrinologista Marcio Mancini afirma que “as canetas são seguras para o grupo em que foram estudadas”, mas que o uso apenas por estética pode trazer riscos desconhecidos.

Profissionais também apontam pressão social como motivo para o uso indevido. A endocrinologista Priscila Sousa diz que muitas pessoas procuram o tratamento pelo “desejo social de emagrecer”, mas lembra que esses remédios foram desenvolvidos para tratar doenças e não devem ser usados sem indicação médica.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.