Especialistas preveem uma nova “corrida nuclear” com Guerra no Irã

Atualizado em 11 de abril de 2026 às 18:20
A explosão de uma bomba de hidrogênio
Foto: Lambert Studios/ARC/Getty

Em 29 de março, o DCM já havia mostrado que a guerra no Irã preocupava o governo brasileiro por um motivo central: o risco de proliferação nuclear na região. Naquele momento, o Itamaraty e o Planalto viam a ofensiva como um fator capaz de incentivar outros países a buscar capacidade nuclear própria, sobretudo diante da perda de confiança de aliados dos Estados Unidos na proteção americana.

Era um temor manifestado pelo próprio presidente Lula: que a derrota do regime iraniano abrisse espaço para uma atuação mais agressiva de Israel no Oriente Médio, com efeitos sobre o Líbano, a Cisjordânia e a estabilidade regional. O Brasil condenou os ataques e defendeu uma saída baseada em negociação e respeito ao direito internacional.

Agora, reportagem da BBC News Brasil publicada neste sábado (11) amplia esse alerta e mostra que a guerra pode produzir justamente o efeito que dizia querer evitar. Especialistas ouvidos pela emissora afirmam que o conflito pode levar o próprio Irã e outros países a concluir que a melhor forma de dissuasão contra ataques de adversários poderosos é ter uma bomba atômica.

Veículo militar chinês carrega míssil intercontinental nuclear
Veículo militar chinês carrega míssil intercontinental nuclear em desfile em Pequim. Foto: VCG/Getty Images

A avaliação aparece de forma direta nas falas do cientista político Reid Pauly, da Universidade Brown, e de John Erath, do Centro para o Controle de Armas e Não Proliferação. Pauly afirma que um governo iraniano que sobreviva à guerra pode concluir que precisa de armas nucleares para se proteger de futuros ataques. Erath diz que a Arábia Saudita já declarou que seguirá o mesmo caminho caso o Irã obtenha a bomba, e que outros países da região podem fazer o mesmo.

A BBC também lembra que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e que avaliações citadas pela própria reportagem, inclusive de representantes da Agência Internacional de Energia Atômica, indicavam que não havia evidências de que Teerã estivesse prestes a fabricar uma arma nuclear. Ainda assim, os ataques danificaram instalações, mantiveram vivo o conhecimento científico acumulado e dificultaram o acesso de inspetores internacionais ao material nuclear iraniano.

O temor descrito agora é o de uma “cascata de proliferação”. Segundo a reportagem, hoje nove países são amplamente reconhecidos como detentores de armas nucleares, enquanto pesquisas de opinião em lugares como Coreia do Sul, Turquia e Polônia mostram apoio crescente à ideia de capacidade nuclear doméstica. A BBC também registra que a modernização de arsenais por potências já nucleares e o fim do Novo START sem substituição agravaram a fragilidade do regime global de não proliferação.

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