Esqueceram? Entenda por que ministros da Venezuela não foram alvo de operação dos EUA

Atualizado em 5 de janeiro de 2026 às 8:52
Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela, e Diosdado Cabello, ministro do Interior. Foto: reprodução

A operação militar dos Estados Unidos que culminou no sequestro de Nicolás Maduro, em Caracas, foi planejada com um objetivo único e delimitado: prender o chefe do regime venezuelano e deixar o país em poucas horas. Segundo o governo estadunidense, ampliar o alvo da ação para incluir outros integrantes da cúpula chavista elevaria de forma significativa os riscos militares e poderia transformar a ofensiva em uma ocupação prolongada do território venezuelano. Por isso, ministros venezuelanos também na mira dos EUA não foram raptados.

Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a prisão de Maduro era a prioridade absoluta da missão e explicou por que outros aliados do regime não foram capturados simultaneamente.

“Foi uma operação bastante sofisticada e complicada. Não é fácil pousar um helicóptero no meio da maior base militar do país, derrubar a porta, algemar o alvo e sair sem perder nenhum americano”, disse. Segundo Rubio, repetir esse tipo de ação em outros pontos do país ampliaria o risco de confronto armado. “Tudo precisa acontecer em poucos minutos”.

De acordo com o secretário, a captura de ministros exigiria a permanência de tropas em solo venezuelano por vários dias, o que aumentaria a possibilidade de danos ao país e de reação internacional. “Você não entra e termina tudo de uma vez. Já estão reclamando da operação. Imagine os protestos se tivéssemos que ficar lá quatro dias para capturar outras pessoas”, afirmou.

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. Foto: reprodução

Atualmente, dois ministros de Maduro são procurados pelos Estados Unidos, que oferecem recompensas de US$ 25 milhões por Diosdado Cabello e US$ 15 milhões por Vladimir Padrino. Outros quatro ex-integrantes do regime também figuram na lista de procurados, com valores que variam entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões.

Rubio também buscou se afastar do discurso do presidente Donald Trump, que afirmou que Washington passaria a governar a Venezuela. Segundo o secretário, a ação não configura invasão nem guerra. “É uma operação de aplicação da lei para executar mandados por narcotráfico e narcoterrorismo”, disse.

Ele acrescentou que os Estados Unidos pretendem manter apenas o que chamou de “quarentena do petróleo”, um regime de restrições já aplicado a navios-tanque sancionados antes da captura de Maduro. “Nós manteremos essa quarentena e esperamos ver mudanças, tanto na forma como o petróleo é administrado quanto no combate ao tráfico de drogas”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.