Esquerda x extrema-direita: Portugal volta às urnas em 2º turno para presidente

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 9:33
António José Seguro e André Ventura • Alex Juarez/Anadolu. Foto: Getty Images e REUTERS/Pedro Nunes

Portugal volta às urnas neste domingo (8) para um segundo turno presidencial inédito em quatro décadas, em uma disputa direta entre a esquerda e a extrema direita. O pleito opõe o socialista António José Seguro ao líder do Chega, André Ventura, em um cenário que reflete a fragmentação política do país e a ascensão da direita radical no Parlamento.

O segundo turno ocorre após um primeiro turno altamente pulverizado, com 11 candidaturas, recorde na história recente do país. Seguro liderou a votação inicial, com cerca de 31% dos votos, enquanto Ventura ficou em segundo, com 23,49%. Pesquisas divulgadas nos últimos dias indicam vantagem confortável do socialista, apontando cerca de 70% das intenções de voto, contra 30% do adversário.

Apesar da liderança nas pesquisas, o resultado ainda é considerado incerto. Um dos fatores que pode influenciar o pleito é a abstenção, já que o voto não é obrigatório em Portugal. Fortes temporais de inverno atingiram o país nas últimas semanas, causando mortes e destruição, o que levantou preocupações sobre a participação do eleitorado. Ventura chegou a pedir o adiamento da votação, mas o governo rejeitou a proposta.

O cargo em disputa não corresponde ao comando direto do governo. Em Portugal, o sistema semipresidencialista divide o Poder Executivo entre presidente e primeiro-ministro. O presidente não administra o dia a dia do país, mas exerce funções estratégicas, como dissolver o Parlamento, convocar novas eleições, nomear o primeiro-ministro e vetar leis consideradas inconstitucionais ou prejudiciais.

André Ventura, líder do Chega, que promete “limpar Portugal” de imigrantes. Foto: Miguel A. Lopes/EFE/EPA

A eleição também marca o fim de um ciclo político. O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, está no cargo há quase dez anos e não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo, conforme determina a Constituição. Seu período à frente do país foi marcado por uma postura conciliadora e pela gestão de sucessivas crises políticas.

Este será ainda o quinto processo eleitoral nacional desde 2024, somando disputas para o governo e para a Presidência. O desfecho do segundo turno é visto como decisivo para o equilíbrio institucional em Portugal, especialmente diante do crescimento da extrema direita e do papel central que o presidente pode exercer em momentos de instabilidade política.