Esquivel, Rafael Correa e lideranças latino-americanas assinam carta aberta a Ciro pedindo apoio a Lula

Atualizado em 21 de setembro de 2022 às 9:48
Lula e Ciro Gomes – Foto: REUTERS/Adriano Machado/REUTERS/Ueslei Marcelino

Nesta terça-feira (20), lideranças latino-americanas assinaram uma carta aberta destinada ao presidenciável Ciro Gomes (PDT). O objetivo do abaixo assinado é fazer com que o pedetista abra mão de sua candidatura ao Palácio do Planalto e declare apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no primeiro turno. Rafael Correa, ex-presidente do Equador, e Adolfo Perez Esquivel, ganhador do Nobel da Paz em 1980, são alguns dos que declaram apoio ao petista:

Carta aberta a Ciro Gomes: o que precisa ser feito para deter Bolsonaro

20 de setembro de 2022

Caro colega Ciro Gomes:

Os abaixo assinados são militantes da esquerda latino-americana, profundamente antiimperialistas e comprometidos com a emancipação de nossos povos e a criação da Grande Pátria. Somos também pessoas que amam e admiram o Brasil e seu povo; a cultura primorosa daquele país: sua música, sua literatura, suas pinturas, sua gastronomia, suas diversas manifestações artísticas e também a longa luta de seu povo para ter acesso a uma vida mais plena, espiritual e materialmente.

Sabemos que você foi um lutador pelas boas causas do povo brasileiro ao longo de sua vida. É por isso a perplexidade que nos leva a escrever-lhe esta carta e que nos move a enviar-lhe esta mensagem fraterna porque é incompreensível para nós, na atual situação brasileira, sua insistência em apresentar sua candidatura presidencial para o primeiro turno das eleições presidenciais eleições no Brasil, neste 2 de outubro, que sem o menor exagero pode ser considerado um ponto de virada histórico.

Por quê? Porque a escolha fundamental não será entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio “Lula” da Silva, mas entre fascismo e democracia. E você, um homem político, inteligente e com larga experiência atrás de você, sabe muito bem que sua candidatura não tem absolutamente nenhuma chance de chegar às urnas, muito menos vencer no primeiro turno. A dura realidade é que, mantendo sua candidatura, caro camarada Ciro, a única coisa que você fará é dispersar forças, enfraquecer a força do bloco antifascista, com todas as suas contradições, facilitar a vitória de Bolsonaro e, eventualmente, abrir caminho para um novo golpe.

Apesar de sua boa vontade, infelizmente, você não está em condições de fazer o bem, nenhum bem, e está em condições de causar um grande mal ao Brasil e ao seu povo. Você não será capaz de fazer o bem apesar de suas intenções porque suas chances de ganhar são zero. Ao enfraquecer a candidatura unitária de Lula, ao dispersar as forças do bloco que se opõe ao fascismo, o que você fará objetivamente (além de suas intenções, que não duvidamos são boas) será pavimentar o caminho para a perpetuação de Bolsonaro no poder.

Parece-nos que por causa de sua carreira você não deve entrar na história do Brasil por aquela porta indigna, como a de um homem que, tendo lutado pelas boas causas de seu povo e alcançado importantes resultados, em uma instância crítica e decisiva para seu país comete um erro e abre as portas para um processo que semeia morte e destruição em seu país e que, sem dúvida, também o terá como uma de suas vítimas. Não se pode ignorar a natureza perversa do atual presidente do Brasil.

Suas palavras e promessas, mesmo aquelas que ele possa ter feito a você, são completamente inúteis. Bolsonaro é um personagem imoral, um fanático alucinado sem princípios morais que deixou mais de 700.000 brasileiros e brasileiras morrerem sem fazer o menor esforço para salvá-los. Ele também é um traidor em série, comparável apenas aos piores personagens de Shakespeare. E ele não hesitará por um momento em traí-lo assim que for conveniente para ele.

Ainda há tempo de reparar seu erro, companheiro Ciro. Dirija-se aos seus apoiadores agora e diga-lhes que a urgência da luta contra o fascismo não lhes deixa outra escolha a não ser apoiar a candidatura presidencial de Lula. Peça-lhes aquele voto, crucial para derrotar no primeiro turno o capitão (assim, com letras minúsculas) e seus esquadrões armados; crucial também para impedir a perpetuação no poder de um homem que exaltava a figura do canalha que torturou Dilma Rousseff.

Você, por causa de sua história e de suas ideias, tem que fazer o impossível para impedir que uma figura tão monstruosa fique mais um dia no Palácio do Planalto. Além disso, devido a sua idade, não temos dúvidas de que continuará sendo uma figura de destaque na política brasileira. Mas não é sua vez, as circunstâncias te obrigam a esperar. Não se esqueça que a paciência é um dos traços que definem os grandes líderes políticos.

Nada mais por enquanto. Esperamos que você aprecie o senso de solidariedade nesta mensagem. Receba um abraço fraterno de seus companheiros lutadores de toda a América Latina e Caribe.

Para aderir, envie sua mensagem para: [email protected]
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Primeiras assinaturas de adesão:

Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, Argentina
Rafael Correa, ex-presidente do Equador
Stella Calloni, jornalista, Argentina
E. Raul Zaffaroni, ex-juiz da Suprema Corte, Argentina
Atílio Boron, cientista político, Argentina
Piedad Córdoba, Senador, Colômbia
Amado Boudou, ex-vice-presidente da Argentina
Gabriela Rivadeneira, ex-presidente da Assembleia Nacional, Equador
Ferdinand Good Abbot, filósofo, México
Ignacio Ramonet, jornalista, França/Espanha
Ernesto Villegas, República Bolivariana da Venezuela
Hugo Moldiz, ex-ministro, Bolívia
Jaime Lorca, Fundação Memória e Futuro, Chile
Xavier Lasso, jornalista, Equador
Katu Arkonada, País Basco/Bolívia
Jorge Lara Castro, ex-chanceler do Paraguai
Hernando Calvo Ospina, cineasta, Colômbia
Esteban Silva, professor universitário, Chile
Maria Seoane, jornalista, Argentina
Mempo Giardinelli, escritor, Argentina
Juan Eduardo Romero, deputado do PSUV, Assembleia Nacional, Venezuela
Alicia Entel, professora universitária, Argentina
Gilberto Lopez e Rivas, antropólogo, México
Daniel Jadue, prefeito de Recoleta, Chile
Telma Luzzani, jornalista, Argentina
Florence Saintout, presidente, Instituto Cultural da Província de Buenos Aires, Argentina
Ramon Grossfogel, professor universitário, Porto Rico
Mario Giorgi, Rádio UNDAV, Argentina
Claudia V. Rocca, Filial Argentina da American Bar Association
Maria Fernanda Barretto, escritora colombo-venezuelana
Daniel de Santis, professor universitário, Argentina
Jose Seoane, professor universitário, Argentina
Paola Gallo Pelaez, co-presidente da MOPASSOL, Argentina
Jorge Singer, Argentina
Rodolfo Hamawi, professor universitário, Argentina
Emilio Taddei, professor universitário, Argentina
Julius Ferrer, jornalista, Argentina
Juan Ramon Quintana Taborga, ex-ministro, Bolívia
Andrea V. Vlahusic, Co-Presidente da MOPASSOL, Argentina
Hector Bernard, jornalista, Argentina
Maria Fernanda de la Quintana, jornalista, Argentina
Jorge Elbaum, professor universitário, Argentina
Carlos Lopez Lopez, Parlamentar do Mercosul
Ana Maria Ramb, escritora, Argentina
Pamela Dávila, jornalista, Equador
Rafael Urrejola Ditborn, jornalista, Chile
Paula Klachko, Professora Universitária, Coord. REDH/Cap. Argentino
Henrique Morales, Coord. Movimento Pop Tzuk Kim, Guatemala
Manuel Santos Iñurrieta, dramaturgo, Argentina
Charles Bedoya, Coord. Latinad, Peru
Alexia Massholder, professora universitária, Argentina
Claudio Katz, economista, Argentina
Marcelo Rodriguez, professor universitário, Argentina
Mário Alderete, Argentina
Graciela Josevich, AUNA Argentina

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